Com a nova tarifa de 25%, Brasil deve enfrentar queda nas exportações e produção interna
Gabriela Thier Publicado em 12/03/2025, às 19h33
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) publicou recentemente uma análise que levanta preocupações acerca do desempenho das exportações brasileiras de aço e alumínio, prevendo uma redução de 11,27% nas vendas para os Estados Unidos. Essa diminuição é atribuída à nova tarifa de 25% que foi imposta sobre as importações desses materiais, o que deverá impactar significativamente o setor.
A produção interna também não ficará imune às consequências dessa medida, com uma previsão de recuo de 2,19% na atividade produtiva. Além disso, as importações devem sofrer uma retração estimada em 1,09%. O cenário desenhado pelo Ipea indica que as exportações prejudicadas poderão acarretar uma perda expressiva, calculada em cerca de 1,5 bilhão de dólares, o que se traduz em aproximadamente R$ 8,7 bilhões.
O mercado americano desempenha um papel fundamental para o Brasil nesse segmento, representando mais de 10% da receita gerada no setor de metais ferrosos. A maior parte das exportações brasileiras para os EUA concentra-se em produtos semiacabados. Apesar da expectativa de queda nas exportações, o Ipea acredita que a repercussão no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro será relativamente contida, com uma diminuição projetada de apenas 0,01%. Isso sugere que, embora haja um impacto negativo nas exportações, a economia brasileira pode não enfrentar dificuldades significativas em um horizonte próximo.
Além disso, o Ipea destaca a importância de promover um diálogo construtivo com as autoridades americanas. O Brasil poderia argumentar a favor da sua posição ao destacar o superávit comercial dos Estados Unidos em relação ao comércio bilateral. Contudo, o instituto adverte sobre a necessidade de cautela diante do risco de represálias que poderiam atingir produtos essenciais importados dos EUA, como fertilizantes e coque, indispensáveis para a agricultura e a indústria siderúrgica brasileira.
Vale lembrar que outras organizações, incluindo o Instituto Aço Brasil e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), já haviam sinalizado anteriormente a relevância do diálogo para tentar reverter essa decisão adversa por parte dos Estados Unidos.