Dólar dispara, Ibovespa desaba e mercado reage à candidatura de Flávio Bolsonaro

Movimentos bruscos no mercado ocorreram após a sinalização de Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência

- Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 05/12/2025, às 19h18

O mercado financeiro brasileiro viveu uma tarde de forte instabilidade nesta sexta-feira (5) marcada por um súbito aumento do dólar e uma queda intensa na bolsa de valores. A moeda americana subiu mais de 2% e encerrou o pregão cotada a R$ 5,4328, alcançando seu maior patamar em quase dois meses. Já o Ibovespa tombou 4,31%, fechando aos 157.369 pontos, na maior queda intradia desde fevereiro de 2021.

Embora o dia tenha começado sob expectativa de novos dados de inflação nos Estados Unidos, foi Brasília quem roubou a cena. Informações sobre a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência em 2026 desencadearam uma reação imediata nos mercados, revertendo o clima inicialmente otimista.

A sinalização de que o senador pode substituir nomes considerados mais competitivos dentro da direita, como Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro, frustrou parte dos investidores. No enredo político planejado até então, Tarcísio e Michelle formariam uma chapa vista como mais unificadora para enfrentar Luiz Inácio Lula da Silva, que já indicou buscar a reeleição. A mudança de rota foi lida como fator de incerteza e alimentou a aversão ao risco.

Além da turbulência política, o mercado absorveu dados pouco animadores da economia brasileira. O PIB do terceiro trimestre cresceu apenas 0,1%, desempenho influenciado pela desaceleração dos serviços e pela queda no consumo das famílias. Os números reforçaram as apostas de que o Banco Central pode iniciar um ciclo de cortes nos juros já em janeiro.

No cenário internacional, a divulgação do índice de preços dos gastos com consumo (PCE) nos Estados Unidos, referência de inflação para o Federal Reserve, trouxe algum alívio. O indicador subiu 0,3% em setembro, em linha com as expectativas, e avançou 2,8% na comparação anual, mantendo a perspectiva de possíveis cortes de juros na próxima reunião do Fed.

Desempenho da semana e do ano

Dólar:

– Semana: +1,83%
– Mês: +1,83%
– Ano: –12,09%

Ibovespa:

– Semana: –1,07%
– Mês: –1,07%
– Ano: +30,83%

Para analistas, o anúncio envolvendo Flávio Bolsonaro desencadeou uma leitura de maior fragmentação dentro da base conservadora, gerarando dúvidas sobre a coesão eleitoral do grupo e seu impacto sobre a estabilidade política.

Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, afirma que o nome de Tarcísio de Freitas vinha ganhando apoio consistente entre governadores e representantes do mercado. “A candidatura de Flávio muda as expectativas e pode abrir espaço para disputas internas dentro do próprio campo bolsonarista”, avalia.

Apesar da volatilidade, parte dos especialistas mantém uma visão positiva para a bolsa no médio prazo. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, acredita que o Brasil segue com preços atrativos e deve se beneficiar da perspectiva de cortes nas taxas de juros. “O ambiente ainda favorece movimentos de valorização caso o cenário externo colabore.”

A chamada "superquarta", marcada por novas decisões de política monetária nos Estados Unidos, deve guiar os próximos passos dos mercados globais e influenciar diretamente o comportamento dos ativos brasileiros.

Indicadores internacionais

– PCE nos EUA: alta de 0,3% no mês e 2,8% no ano
– Índice de sentimento do consumidor: 53,3 pontos
– Expectativas inflacionárias: queda para 4,1% nos próximos 12 meses

Com eleições se aproximando e sinais de desaceleração econômica, o mercado inicia dezembro em clima de cautela, atento aos próximos capítulos da política nacional e às decisões de política monetária no exterior.

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