
Redação Publicado em 04/07/2022, às 00h00 - Atualizado às 14h04
O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo emérito de São Paulo, faleceu nesta segunda-feira (4) na capital paulista, aos 87 anos. O óbito foi confirmado pelo Cardeal Dom Odilo Scherer, Arcebispo de São Paulo.
De acordo com informações da AFP, o cardeal estava tratando um câncer.
“Comunico, com grande pesar, o falecimento do Eminentíssimo Cardeal Cláudio Hummes, (…) no dia de hoje, após prolongada enfermidade, que suportou com paciência e fé em Deus”, anunciou em comunicado o arcebispo Odilo Scherer.
O corpo de Hummes será velado na Catedral Metropolitana de São Paulo, conhecida como Catedral da Sé, onde serão celebradas Santas Missas. O horário não foi divulgado.
Da ordem dos Franciscanos, o cardeal Cláudio Hummes, conhecido como “Dom Cláudio”, era um dos arcebispos mais influentes na Santa Sé. Em 2013, logo após sua eleição, o Papa Francisco explicou à imprensa que o cardeal Hummes o inspirou a escolher o nome Francisco.
“Ao meu lado, nas eleições, estava o arcebispo emérito de São Paulo e prefeito emérito da Congregação para o Clero, cardeal Cláudio Hummes, um grande amigo. Quando a situação ficava um pouco perigosa, ele me consolava. Quando os votos chegaram aos dois terços, começaram a aplaudir, porque o papa tinha sido eleito. E ele me abraçou, me beijou e disse: ‘Não se esqueça dos pobres’. E aquela palavra entrou na minha cabeça: os pobres. Pensei em Francisco de Assis”, declarou o Papa na época.
O brasileiro era então apontado como um dos favoritos para suceder Bento XVI.
Nascido em 8 de agosto de 1934, em Montenegro (RS), Cláudio Hummes dedicou-se à vida religiosa a partir dos 17 anos de idade, quando ingressou na Ordem dos Frades Menores em fevereiro de 1952.
Ele se tornou oficialmente um cardeal em 2001 e se tornou também prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano, com Bento XVI.
Em 2019, no Sínodo da Amazônia, em Roma, no qual foi relator, Dom Cláudio Hummes ganhou notoriedade ao defender com veemência a demarcação de terras indígenas.
“Nós sabemos que, para os indígenas, isso é fundamental. Também as reservas geograficamente delimitadas são importantíssimas para a preservação da Amazônia“, declarou em coletiva de imprensa no Vaticano no Sínodo.
O encontro ocorreu durante um momento crítico para o Brasil, com a comunidade internacional fazendo duras críticas ao presidente Jair Bolsonaro (PL) em relação aos elevados índices de incêndios na Floresta Amazônica. Além de outros crimes ambientais em diversos biomas nacionais.
Dom Cláudio manteve-se na ativa até março de 2022, quando decidiu renunciar ao cargo de Presidente da Conferência Eclesial da Amazônia (Ceama), em virtude do diagnóstico de câncer, que deixou sua saúde debilitada.
Anteriormente, ele também atuou como presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, da CNBB.
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