Imunização mira moradores de 15 a 59 anos e integra estratégia nacional contra a dengue

Gabriela Nogueira Publicado em 18/01/2026, às 12h14
A cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, começa neste domingo (18) a aplicar a vacina de dose única contra a dengue em uma ação inédita no estado. A iniciativa faz parte de um projeto-piloto coordenado pelo Instituto Butantan, que pretende avaliar a eficácia do imunizante em condições reais antes de ampliar a distribuição em todo o país.
Ao todo, o município recebeu 80 mil doses, destinadas a moradores entre 15 e 59 anos. A vacinação ocorre simultaneamente em outras duas cidades brasileiras, Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais, que iniciaram a aplicação no sábado.
Durante os próximos 12 meses, equipes de pesquisadores e profissionais de saúde vão acompanhar os resultados da imunização. O objetivo é analisar a redução de casos da doença, o comportamento do vírus nas cidades participantes e a ocorrência de possíveis efeitos adversos raros. Estratégia semelhante já foi adotada em Botucatu durante estudos sobre a vacina contra a covid-19.
Caso os dados confirmem a eficácia observada nos testes clínicos, a produção do imunizante será ampliada para abastecer o Sistema Único de Saúde. Atualmente, o Butantan já fabricou cerca de 1,3 milhão de doses. Parte desse volume será utilizada na imunização de grupos prioritários, como profissionais da atenção básica, com início previsto para fevereiro.
Segundo o Ministério da Saúde, a escolha dos municípios levou em conta critérios técnicos, como tamanho da população e estrutura da rede pública de saúde, fatores considerados essenciais para medir o impacto da vacina na circulação do vírus.
Os estudos clínicos apontaram eficácia global de 74% e redução de mais de 90% nos casos graves da doença. Entre os vacinados, não houve registro de hospitalizações por dengue. O desenvolvimento da vacina levou duas décadas e contou com investimento público e parcerias científicas nacionais e internacionais.
Mesmo com o avanço da vacinação, autoridades de saúde reforçam que a prevenção continua sendo fundamental. Medidas como eliminar água parada e combater focos do mosquito Aedes aegypti seguem sendo essenciais para conter a transmissão da dengue.
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