Novo imunizante fornece anticorpos prontos e reforça a prevenção da bronquiolite em grupos de risco

Erika Osti Publicado em 05/02/2026, às 14h17
Bebês prematuros e crianças pequenas com comorbidades começam a receber o novo imunizante nirsevimabe pelo SUS, que oferece proteção imediata contra o Vírus Sincicial Respiratório, principal causador de bronquiolite e internações em crianças menores de dois anos no Brasil.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal que não requer a produção de anticorpos pelo sistema imunológico do bebê, sendo especialmente importante para recém-nascidos com defesas naturais imaturas, e será aplicado em crianças com condições clínicas que aumentam o risco de complicações respiratórias.
Cerca de 300 mil doses do imunizante já foram distribuídas, com a aplicação priorizada antes e durante o pico de circulação do vírus, complementando a vacinação de gestantes a partir da 28ª semana de gravidez para proteção dos recém-nascidos.
Bebês prematuros e crianças pequenas com comorbidades começam a receber, a partir deste mês, um novo imunizante contra a bronquiolite pelo Sistema Único de Saúde. O medicamento, chamado nirsevimabe, amplia a proteção contra o Vírus Sincicial Respiratório, principal causador da doença e responsável por grande parte das internações de crianças menores de dois anos no Brasil.
Diferente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal. Isso significa que ele oferece proteção imediata ao organismo, sem a necessidade de estimular o sistema imunológico do bebê a produzir seus próprios anticorpos. A característica é considerada essencial para recém-nascidos prematuros, que ainda possuem defesas naturais imaturas.
São considerados prematuros os bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação. Além deles, o imunizante também será aplicado em crianças de até dois anos que apresentam condições clínicas associadas a maior risco de complicações respiratórias. Entre as comorbidades estão doença pulmonar crônica da prematuridade, cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunocomprometimento grave de origem inata ou adquirida e síndrome de Down.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, cerca de 300 mil doses do nirsevimabe já foram distribuídas para estados e municípios em todo o país. A estratégia é priorizar a aplicação antes e durante o período de maior circulação do vírus, quando há aumento expressivo de casos de bronquiolite e sobrecarga nos serviços de saúde.
O reforço na proteção infantil se soma a outra ação já em vigor no SUS: a vacinação contra o VSR para gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Com isso, os bebês já nascem com anticorpos transmitidos pela mãe, o que reduz o risco de infecções graves nos primeiros meses de vida.
O Vírus Sincicial Respiratório é responsável por cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos. Em 2025, até 22 de novembro, o Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave provocados pelo VSR. Desse total, mais de 35,5 mil hospitalizações ocorreram em crianças com menos de dois anos, o equivalente a 82,5% dos casos.
Como a maioria das infecções é de origem viral, não existe tratamento específico para a bronquiolite. O atendimento médico é baseado no controle dos sintomas e pode incluir terapia de suporte, suplementação de oxigênio, hidratação e uso de broncodilatadores, especialmente em casos com chiado no peito.
A incorporação do novo imunizante ao SUS representa um avanço na prevenção, com potencial para reduzir internações, aliviar a pressão sobre hospitais e salvar vidas de bebês mais vulneráveis.
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