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Patente do Ozempic expira: veja o que muda no preço e no acesso

Apesar da quebra da exclusividade, novos medicamentos dependem de aprovação da Anvisa e devem demorar a chegar ao mercado

Caneta de Ozempic é usada no tratamento do diabetes tipo 2 - Imagem: Reprodução
Caneta de Ozempic é usada no tratamento do diabetes tipo 2 - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 20/03/2026, às 08h50


A patente da semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos como o Ozempic, deixou de valer nesta sexta-feira (20), abrindo espaço para que outras farmacêuticas produzam alternativas. A expectativa de uma redução imediata nos preços, no entanto, não se concretizou. Até o momento, nenhuma versão concorrente foi liberada para venda no Brasil.

O fim da exclusividade da dinamarquesa Novo Nordisk encerra um ciclo de cerca de duas décadas. A empresa tentou prolongar esse período na Justiça, mas não obteve sucesso. Com isso, o mercado passa a ter liberdade para desenvolver novos produtos com o mesmo composto, amplamente utilizado no controle do diabetes tipo 2 e associado à perda de peso.

Mesmo com o novo cenário, a chegada de alternativas depende de um processo regulatório rigoroso. No país, todos os medicamentos precisam ser avaliados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável por analisar dados de segurança, qualidade e eficácia antes de autorizar a comercialização.

No caso da semaglutida, a análise é mais complexa do que a de remédios tradicionais. A substância é classificada como um peptídeo e apresenta propriedades que a situam entre os medicamentos sintéticos e os biológicos. Essa particularidade exige critérios técnicos mais detalhados e amplia o tempo necessário para avaliação.

Atualmente, há 15 pedidos de registro em andamento no Brasil. Parte deles ainda aguarda início da análise, enquanto outros estão em etapas intermediárias, com exigências técnicas a serem cumpridas pelas empresas.

Acesso restrito e preço alto

A expectativa do setor é de que ao menos uma nova caneta seja aprovada até junho, mas o cronograma depende da resposta das fabricantes às solicitações do órgão regulador.

Enquanto isso, os preços seguem elevados. Uma caneta pode custar, em média, cerca de R$ 1 mil, a depender da dosagem. A redução dos valores está diretamente ligada à entrada efetiva de concorrentes, o que ainda não ocorreu.

A possibilidade de versões mais acessíveis também reacende o debate sobre a oferta desses medicamentos no sistema público. Hoje, tratamentos dessa classe já são utilizados de forma restrita no Sistema Único de Saúde (SUS), voltados a casos específicos. Com a tendência de queda de preços no futuro, cresce a expectativa de ampliação do acesso, embora ainda não exista previsão de ampliação da oferta.

Até que novas alternativas cheguem, pacientes e médicos s seguem dependentes das opções já disponíveis, em meio à alta procura e aos preços ainda elevados.


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