Régis Mota compartilha conteúdos nas redes sobre como está transformando o luto em motivação

Mateus Omena Publicado em 02/12/2022, às 11h45
Um homem enfrenta a dor da perda dos três filhos em um intervalo de apenas quatro anos e revela que as tragédias foram provocadas por uma doença misteriosa.
O corretor de imóveis Régis Feitosa Mota é portador de uma síndrome rara que deixa o paciente mais suscetível ao aparecimento de câncer. Ele tinha 46 anos quando descobriu que tinha a síndrome de Li-Fraumeni.
A síndrome é caracterizada por alterar o gene TP53, fazendo com que a produção da proteína responsável por impedir o crescimento de tumores seja insuficiente. É por isso que pacientes que têm essa condição hereditária rara estão tão vulneráveis a desenvolver diversos tipos de cânceres durante a vida. A probabilidade é de 90% de chances de os portadores terem o câncer até os 70 anos.
Já a probabilidade de repassar o gene deficiente para os filhos é de 50%. No caso da família de Regis, os três tiveram que conviver com a doença.
Em entrevista à TV Verdes Mares, afiliada da Rede Globo no Ceará, Régis Mota explicou como tem lidado com a perda dos filhos.
"Foi uma coisa muito em cima uma da outra que não deu nem tempo para ter luto porque era terminando o tratamento de um filho e começando o do outro, e falecendo outro, e assim num período de quatro anos perdi os três filhos. É impossível administrar tanta dor, tanto sofrimento e ter luto ao mesmo tempo”..
Ele recordou que as doenças, de algum modo, marcaram o momento em que a família esteve mais unida do que nunca.
"Isso nos uniu bastante. Eles tinham muita força, muita aceitação apesar da doença e da gravidade todos sabiam, mesmo a mais nova. Sempre procurávamos manter a alegria, a harmonia. Os meninos deixaram um legado muito grande de ensinamento".
Beatriz, a filha caçula de Régis, faleceu em 2018, com 10 anos, com diagnóstico de leucemia linfoide aguda. Pedro, de 22 anos, teve cinco episódios de câncer e morreu em 2020 com um tumor no cérebro.
A perda mais recente foi de Anna Carolina, de 25 anos. A filha médica descobriu um tumor no cérebro em 2021 e morreu em novembro deste ano.
Apesar do sofrimento, a memória dos filhos é o que fortalece Régis e o motiva a seguir o tratamento da quimioterapia todos os dias. Ele também compartilha conteúdos de apoio aos mais de 200 mil seguidores nas redes sociais.
"Esse tem sido o objetivo principal. Transformar vidas, impactar vidas. Se essa dor toda, todo esse sofrimento, essas perdas não podem ficar em vão. A meu ver, hoje elas têm uma missão maior que é impactar vidas", complementa.
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