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Prevenção

Nova injeção contra o HIV começa a ser testada em São Paulo e Campinas

Estudo coordenado pela Fiocruz avalia nova estratégia de prevenção com aplicação a cada seis meses

Imagem: Reprodução
Imagem: Reprodução

Gabriela Nogueira Publicado em 01/02/2026, às 07h28


São Paulo e Campinas estão entre as cidades brasileiras escolhidas para testar uma nova forma de prevenção contra o HIV que promete facilitar a adesão ao cuidado: uma injeção aplicada apenas duas vezes por ano. A pesquisa, coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz, vai analisar a viabilidade do uso do lenacapavir como profilaxia pré-exposição e deve servir de base para uma possível oferta da tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo integra um projeto nacional que será realizado em sete municípios e tem previsão de duração de dois anos. A proposta é avaliar não apenas a eficácia do medicamento, já comprovada em estudos internacionais, mas também a capacidade do sistema de saúde de ofertar a prevenção de forma acessível, especialmente para populações mais vulneráveis à infecção.

Campinas e a capital paulista foram selecionadas por já terem experiência consolidada em pesquisas e políticas públicas voltadas à prevenção do HIV. As duas cidades participaram de iniciativas anteriores com a PrEP oral e com medicamentos injetáveis de longa duração, o que facilita o contato com o público-alvo e a estrutura de acompanhamento clínico.

A pesquisa vai incluir pessoas que não vivem com o HIV, mas estão em maior risco de exposição ao vírus. O foco está em jovens de 16 a 30 anos, incluindo gays, bissexuais, homens que fazem sexo com homens, pessoas trans e não binárias. O objetivo é entender como a aplicação semestral se encaixa na rotina dessas populações e se a estratégia ajuda a reduzir barreiras como o uso diário de comprimidos.

O lenacapavir é um antirretroviral de ação prolongada aplicado por via subcutânea e já teve sua indicação preventiva aprovada pela Anvisa. A expectativa dos pesquisadores é que a nova abordagem represente um avanço importante na prevenção, ao oferecer proteção contínua com menos intervenções ao longo do ano.

Antes de chegar ao SUS, no entanto, o medicamento ainda precisa passar por etapas regulatórias. O preço máximo terá de ser definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e, depois disso, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias avaliará as evidências científicas para decidir sobre a adoção no sistema público.

Atualmente, o SUS já oferece a PrEP oral, que pode ser usada diariamente ou sob demanda, além da profilaxia pós-exposição, indicada para situações de risco recente. Especialistas apontam que a ampliação do leque de opções é fundamental para alcançar pessoas que, por diferentes motivos, têm dificuldade em manter esquemas diários de medicação.

Embora a ciência avance em ritmo acelerado, pesquisadores reforçam que ainda não existe uma vacina capaz de erradicar o HIV. Até lá, o caminho passa pela combinação de novas tecnologias, acesso amplo à prevenção e enfrentamento do estigma que ainda cerca o vírus. A injeção semestral surge, nesse cenário, como uma aposta concreta para transformar a forma como a prevenção é feita no Brasil.


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