Santa Catarina lidera a lista com cerca de 17 mil mulheres aguardando o exame

Gabriela Thier Publicado em 31/10/2024, às 17h57
Em junho deste ano, mais de 77 mil brasileiras estavam na fila para realizar mamografias no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme revelado por dados do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR). Santa Catarina lidera a lista com cerca de 17 mil mulheres aguardando o exame, seguido por São Paulo com 15 mil e Rio de Janeiro com 12,5 mil. Estes três estados, juntos, representam 56% da demanda nacional pela mamografia, um exame crucial para a detecção precoce do câncer de mama.
O CBR destaca que em algumas regiões do Brasil, o tempo de espera pelo exame pode atingir até 80 dias. Esta demora pode comprometer significativamente as chances de um tratamento eficaz, já que a mamografia é essencial para identificar alterações nas mamas em estágio inicial, permitindo intervenções menos invasivas e mais econômicas. A entidade ressalta a importância de que os recém-eleitos nas eleições municipais considerem esses dados ao elaborar e manter políticas públicas voltadas para a saúde.
A questão da subnotificação também foi abordada pela entidade. Segundo o CBR, as filas de espera podem ser ainda mais extensas do que os números oficiais sugerem. Isso ocorre porque o SISREG, o Sistema de Regulação do Ministério da Saúde responsável por consolidar as demandas por cirurgias eletivas, depende das informações fornecidas voluntariamente pelas secretarias estaduais e municipais de saúde.
Um exemplo dessa disparidade pode ser observado no Distrito Federal. Enquanto o sistema nacional aponta para uma fila de 306 pacientes, investigações locais baseadas no Mapa Social do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPTDF) indicam que o número real é cerca de dez vezes maior, atingindo 3,6 mil mulheres.
O CBR enfatiza a urgência na implementação de medidas eficazes e políticas públicas que possam mitigar essas desigualdades regionais e reduzir o tempo de espera por mamografias. A entidade defende um acesso mais equitativo ao diagnóstico para todas as mulheres brasileiras, independentemente de sua localização geográfica.
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