São Paulo lidera, mas o Sudeste enfrenta aumento alarmante

Gabriela Thier Publicado em 03/02/2025, às 18h21
O primeiro mês de 2025 apresentou uma situação preocupante em relação à dengueno Brasil, com a contabilização de 170.376 casos prováveis da doença. Além disso, foram confirmadas 38 mortes, enquanto 201 óbitos permanecem sob investigação. Segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, o coeficiente de incidência atual é de 80,1 casos para cada 100 mil habitantes.
Uma análise dos dados revela que as mulheres representam 54% dos casos registrados, enquanto os homens correspondem a 46%. A distribuição racial dos casos mostra que 51,3% foram diagnosticados em pessoas brancas, seguidos por 32,4% de pessoas pardas, 4,4% de pessoas negras e 1,1% de pessoas amarelas. Os grupos etários mais afetados são aqueles entre 20 e 29 anos, de 30 a 39 anos e de 40 a 49 anos.
No que diz respeito à distribuição geográfica, São Paulo lidera com um total de 100.025 casos prováveis. Em seguida, estão Minas Geraiscom 18.402, Paraná com 9.424 e Goiás com 8.683. Contudo, quando analisado o coeficiente de incidência por estado, o Acre se destaca com uma taxa alarmante de 391,9 casos para cada 100 mil habitantes. São Paulo apresenta um coeficiente de 217,6, seguido por Mato Grosso (193,9) e Goiás (118,1).
Na Região Sudeste, dados divulgados recentemente indicam que a situação da dengue na Região Norte permanece estável em comparação a 2024, com números considerados modestos pelo Ministério da Saúde. O Nordeste também mostra uma leve diminuição nos casos. Já as regiões Centro-Oeste e Sul observaram uma "redução substancial", atribuída principalmente à diminuição dos casos no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Paraná e Santa Catarina.
Entretanto, o Sudeste levanta preocupações significativas. O secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente do estado de São Paulo, Rivaldo Venâncio, destacou que embora os números pareçam controlados semanalmente, ao aprofundar a análise dos dados é possível notar um aumento alarmante na comparação com o ano anterior. "Estamos observando o dobro do número de casos quando confrontamos os dados das primeiras semanas de janeiro de 2025 com os registros do mesmo período em 2024", ressaltou Venâncio.
Além disso, ele enfatizou a gravidade do número total de óbitos relacionados à doença: "Considerando a possibilidade de que dois terços dos óbitos em investigação sejam confirmados no estado de São Paulo, teríamos aproximadamente entre 800 e 900 casos para cada óbito registrado", afirmando que essa relação é extremamente elevada.
Comparando os dados anuais, São Paulo saltou de quase 50 mil casos nas quatro primeiras semanas do ano passado para cerca de 100 mil neste início de ano. Em contrapartida, Minas Gerais apresentou uma redução significativa nas ocorrências, diminuindo cerca de 85%, passando de 123 mil para apenas 16 mil casos.
O secretário também apontou que a crescente circulação do sorotipo 3 da dengue está entre os principais fatores para o aumento dos casos no Sudeste brasileiro. "Particularmente em São Paulo e parcialmente no Paraná", observou ele. Venâncio alertou ainda sobre a detecção crescente desse sorotipo desde julho do ano anterior e indicou que localidades que ainda não apresentaram casos da dengue tipo 3 provavelmente enfrentarão essa realidade em breve.
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