Com 1.568 casos de feminicídio registrados em 2025 no país, o Canal Delas, criado pela Hapvida em parceria com o Instituto Justiça de Saia, já recebeu mais de 360 denúncias de violência

William Oliveira Publicado em 09/03/2026, às 12h17
O Brasil registrou em 2025 o maior número de feminicídios da série histórica. Foram 1.568 casos em todo o país, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O número representa uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica e misoginia.
Diante desse cenário alarmante, a operadora de saúde Hapvida reforça a divulgação do Canal Delas, ferramenta de acolhimento e denúncia criada em parceria com o Instituto Justiça de Saia, por meio do Projeto Justiceiras. O serviço oferece apoio seguro e sigiloso a mulheres vítimas de violência.
Desde sua criação, em 2022, o canal já recebeu mais de 360 denúncias, resultando em atendimento especializado para pelo menos 111 mulheres que viviam situações de agressão.
Segundo Flavio Freire, head de Sustentabilidade e Impacto Social da Hapvida, a iniciativa vai além da simples formalização de denúncias.
“Mais do que um canal de denúncia, trata-se de uma rede multidisciplinar que orienta sobre medidas protetivas, registro de ocorrência, acesso a serviços públicos e caminhos para a reconstrução da autonomia e da dignidade dessas mulheres”, explica.
Inicialmente voltado às colaboradoras da empresa, o Canal Delas foi ampliado e hoje também atende beneficiárias da operadora e mulheres da sociedade em geral.
Freire destaca que o tema tem relevância especial dentro da companhia. Atualmente, cerca de 75% do quadro de colaboradores da Hapvida é composto por mulheres, o que representa mais de 58 mil profissionais atuando em diversas áreas da empresa, inclusive em cargos de liderança.
O número de feminicídios registrado em 2025 representa um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos. Desde o início da série histórica, em 2015 — quando o país registrou 449 ocorrências — o crescimento chega a aproximadamente 250%.
Para Freire, os dados evidenciam a urgência de iniciativas que contribuam para o enfrentamento da violência de gênero.
“Os números mais recentes mostram que a violência contra a mulher segue como um dos desafios sociais mais urgentes. Por isso, apoiar projetos como esse está totalmente alinhado ao nosso propósito de cuidar das pessoas de forma integral. Essa não é apenas uma questão de segurança pública ou jurídica, mas também um tema de saúde, dignidade e direitos humanos”, afirma.
A psicóloga Karolayne Oliveira, da Hapvida, ressalta que muitas vítimas enfrentam barreiras emocionais e sociais antes de denunciar uma situação de violência.
De acordo com ela, o medo é um dos principais fatores que mantêm mulheres em relacionamentos abusivos. “Muitas vezes, a pessoa está sendo agredida e não fala nada, mas o motivo é que ela tem medo. Medo de perder o fator financeiro, medo de ser afastada dos filhos, medo de perder tudo o que ela acha que tem com aquele parceiro”, explica.
Para a especialista, romper esse ciclo exige apoio profissional e uma rede de suporte confiável.
“É importante procurar uma rede de apoio. Pode ser uma vizinha, pais, irmãos, desde que a mulher se sinta de fato apoiada por eles”, afirma.
Karolayne também destaca a importância da psicoeducação, processo que ajuda as vítimas a reconhecer comportamentos abusivos e a identificar sinais de risco. “Quando a mulher tem noção do que está acontecendo, quando ela é orientada por políticas públicas, pela empresa em que trabalha, por todo o meio que está em volta dela, sobre como funciona o comportamento de um agressor, ela entende que pode sair dessa situação antes que algo de pior aconteça”, diz.
A advogada Gabriela Manssur, fundadora do Projeto Justiceiras e especialista na defesa dos direitos das mulheres, reforça que denunciar é um passo fundamental para interromper o ciclo da violência.
“O Canal Delas, em parceria com o Projeto Justiceiras, é um meio de denúncia sigiloso e multidisciplinar que interrompe os ciclos de violência contra a mulher antes que cheguem ao desfecho mais extremo: o feminicídio. O silêncio mata. A responsabilidade salva”, afirma.
Segundo ela, as empresas também têm papel importante nesse enfrentamento. “Informar, conscientizar, acolher e oferecer canais seguros de escuta qualificada, com encaminhamentos objetivos para o sistema de justiça. Reduzir os índices de feminicídio exige ação coordenada, dados precisos e coragem institucional para enfrentar a violência de forma estruturada”, conclui.
As denúncias no Canal Delas podem ser feitas 24 horas por dia, pela própria vítima ou por terceiros.
O acesso pode ocorrer pelo portal ou aplicativo da Hapvida (exclusivos para beneficiárias e colaboradoras) ou pelo Instagram da empresa.
Todos os canais garantem sigilo e acolhimento especializado, com atendimento realizado por uma rede multidisciplinar de profissionais voluntárias da ONG, que prestam apoio jurídico, psicológico, médico e socioassistencial às vítimas.
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