Levantamento do Ministério da Saúde mostra avanço da obesidade e crescimento de doenças crônicas

Gabriela Nogueira Publicado em 31/01/2026, às 11h15
Mais de 60% da população adulta do Brasil vive atualmente acima do peso. O dado faz parte do Vigitel 2024, levantamento divulgado pelo Ministério da Saúde que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais brasileiras. O estudo mostra que o excesso de peso deixou de ser exceção e passou a ser regra no país, com impacto direto na saúde pública.
Segundo a pesquisa, 62,6% dos brasileiros adultos apresentam excesso de peso e 25,7% já se enquadram em quadro de obesidade. Em 2006, quando o monitoramento começou, esses índices eram de 42,6% e 11,8%, respectivamente. Em menos de duas décadas, a obesidade mais do que dobrou.
O avanço do sobrepeso caminha junto com o crescimento de doenças crônicas. O diagnóstico de diabetes atinge hoje 12,9% da população adulta, mais que o dobro do registrado no início da série histórica. A hipertensão também avançou, chegando a 29,7% dos entrevistados. Para o Ministério da Saúde, parte desse aumento está relacionada ao maior acesso ao diagnóstico, mas os números também indicam a necessidade de reforçar ações de prevenção.
Apesar do cenário preocupante, o levantamento traz alguns sinais positivos. A prática de atividade física no tempo livre cresceu de forma consistente. Em 2024, 42,3% dos adultos relataram realizar ao menos 150 minutos semanais de exercícios moderados, índice que era de apenas 30% em 2006.
Os hábitos alimentares também mostram avanços pontuais. O consumo regular de refrigerantes caiu quase pela metade ao longo dos anos, passando de 30,9% em 2007 para 16,2% em 2024. O consumo de frutas e hortaliças se manteve relativamente estável, em torno de 31%, o que ainda é considerado abaixo do ideal por especialistas.
Pela primeira vez, o Vigitel incluiu dados sobre o sono da população. O levantamento aponta que 20,2% dos adultos dormem menos de seis horas por noite e quase um terço apresenta sintomas de insônia. A prevalência é maior entre mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, dormir mal interfere diretamente no metabolismo, no ganho de peso e no risco de doenças cardiovasculares.
O retrato traçado pelo Vigitel mostra um país que avançou em alguns comportamentos saudáveis, mas ainda enfrenta desafios estruturais para conter o crescimento da obesidade e das doenças crônicas. Para especialistas, os dados reforçam a importância de políticas públicas contínuas voltadas à alimentação saudável, à atividade física e à promoção do bem-estar no dia a dia da população.
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