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Envenenamento

Brasil aumento significativo de casos de envenenamento na última década

O estado de São Paulo lidera com 10.161 casos registrados

O estado de São Paulo lidera com 10.161 casos registrados - Imagem: Reprodução / Valter Campanato / Agência Brasil
O estado de São Paulo lidera com 10.161 casos registrados - Imagem: Reprodução / Valter Campanato / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 08/09/2025, às 14h47


Nos últimos dez anos, o Brasil registrou um total  de 45.511 internações em serviços de emergência da rede pública devido a casos de envenenamento. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (8) pela Associação Brasileira de Medicina de Emergência (Abramede).

O estudo revela que, além de envenenamentos acidentais e indeterminados, foram contabilizados 3.461 pacientes que foram hospitalizados após intoxicação intencional provocada por terceiros.

Ao longo do período entre 2009 e 2024, a média anual de envenenamentos no país se estabeleceu em aproximadamente 4.551 casos. Esse número traduz-se em uma média mensal de 379 registros e cerca de 12,6 casos diários, o que significa que, a cada duas horas, uma pessoa é atendida em uma emergência pública devido à ingestão de substâncias tóxicas ou que provocam reações severas.

A Abramede destaca a importância do trabalho dos médicos emergencistas em situações críticas, como os envenenamentos, além de alertar sobre a acessibilidade a venenos e a falta de regulamentação e fiscalização no país. A entidade enfatiza que muitos desses casos envolvem contextos pessoais e emocionais.

Os dados ainda indicam que as principais causas de envenenamentos abrangem drogas, medicamentos e substâncias biológicas não especificadas (6.407 casos), produtos químicos não identificados (6.556) e substâncias químicas nocivas (5.104). Em episódios acidentais, os envenenamentos mais frequentes ocorreram por exposição a analgésicos e medicamentos anti-inflamatórios, com 2.225 registros.

Outros fatores comuns incluem pesticidas (1.830 casos), álcool sem causa determinada (1.954) e anticonvulsivantes, sedativos e hipnóticos (1.941).

Distribuição Regional
A análise geográfica dos dados mostra que a região Sudeste é responsável por quase metade dos atendimentos registrados, totalizando mais de 19 mil ocorrências na última década. O estado de São Paulo lidera com 10.161 casos, seguido por Minas Gerais com 6.154.

O Sul do Brasil ocupa o segundo lugar em número de casos, contabilizando 9.630 atendimentos, com destaque para Paraná (3.764) e Rio Grande do Sul (3.278). No Nordeste, foram registrados 7.080 casos, principalmente na Bahia (2.274) e Pernambuco (949). A região Centro-Oeste teve 5.161 internações, sendo o Distrito Federal (2.206) e Goiás (1.876) os estados mais afetados.

A Região Norte apresentou 3.980 registros durante o período, liderados pelo Pará (2.047) e Rondônia (936).

Intoxicações Intencionais
No contexto das internações relacionadas a intoxicação intencional ou provocada por terceiros, novamente a Região Sudeste se destacou com 1.513 casos ao longo da análise. As demais regiões apresentaram números próximos: Sul (551), Nordeste (492), Centro-Oeste (470) e Norte (435).

Os estados com os maiores totais incluem São Paulo (754), Minas Gerais (500), Pará (295), Paraná (289), Goiás (248), Bahia (199), Rio de Janeiro (162) e Santa Catarina (153). Em contrapartida, as unidades da federação com os menores números são Amapá (16), Sergipe (8), Alagoas (4), Acre (3) e Roraima (1).

Perfil das Vítimas
A pesquisa também apresenta o perfil das vítimas envolvidas em envenenamentos, sejam eles acidentais ou intencionais, revelando que a maioria dos casos afeta homens, totalizando 23.796 registros.

A faixa etária mais impactada inclui jovens adultos entre 20 e 29 anos, com 7.313 casos registrados, seguidos por crianças entre 1 e 4 anos, que somam 7.204 casos. Por outro lado, as faixas etárias menos afetadas são bebês com menos de um ano e idosos acima dos 70 anos.

Casos Recentes
Casos trágicos recentes evidenciam a gravidade da situação: em dezembro de 2024, três membros de uma mesma família faleceram em Torres (RS) após ingerirem um bolo contaminado com arsênio; em janeiro de 2025, nove pessoas ficaram intoxicadas após uma ceia adulterada com inseticida em Parnaíba (PI), resultando na morte de cinco delas; enquanto em abril duas crianças morreram após comerem um ovo de Páscoa envenenado em Imperatriz (MA).


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