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COLUNA

Será que a guerra no Oriente Médio segue o mesmo roteiro da invasão da Ucrânia?

Imagem: Reprodução/AFP
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Dennis Munhoz

por Dennis Munhoz

Publicado em 14/07/2026, às 08h00


Muitos acreditavam que o conflito entre Rússia e Ucrânia não duraria mais de três meses devido às sanções impostas pelos Estados Unidos e Europa à combalida economia russa. Pois é, a guerra já dura quase 4 anos e meio e parece ainda distante de seu fim.

O então eleito Presidente Donald Trump em dezembro de 2.025, alardeava que terminaria a guerra em uma semana e já faz um ano e meio. Aliás, a questão de prazos para Trump é seu ponto fraco, senão vejamos: Errou diversas vezes no que diz respeito aos acordos que encerrariam a invasão da Ucrânia, no final de fevereiro declarou que a guerra com o Irã não passaria de 6 semanas, anunciou inúmeras datas limites para o final do conflito envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, não acertou sequer uma vez.

Os andamentos dos conflitos são semelhantes, ora melhoram, ora pioram, diversas tentativas de acordo, ambos lados declaram superioridade mas nada efetivo acontece além de mortes, destruição, ameaças, abalo na economia mundial e perspectiva sombria.

No conflito do Oriente Médio há a ação direta da maior potência bélica e econômica do mundo e, vai ficando cada vez mais claro que se quiser de fato encerrar a guerra terá que agir de forma mais radical e arcar com as sequelas. Esperar bom senso do regime ditatorial e teocrático do Irã, que elimina seus opositores com fuzilamento e desaparecimento sumário como aconteceu nas manifestações populares um pouco antes do início da guerra, onde estimasse que mais de 12 mil pessoas foram mortas pela ditadura dos Aiatolás, apedreja mulheres por condutas em desacordo com orientações religiosas e proíbe punindo rigorosamente toda e qualquer manifestação popular que seja encarada como ameaça ao regime, seria o mesmo que pedir a raposa faminta que não se aproxime do galinheiro.

Temos o motivo principal do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã que é o enriquecimento do urânio que pode produzir armas nucleares de destruição em massa. Este é o cerne da questão. O Irã nunca permitiu a fiscalização total por parte das autoridades internacionais como havia se comprometido no acordo que firmou com o então Presidente Obama em 2015 e, ninguém pode garantir o nível de enriquecimento de urânio que ocorreu, nem tampouco a real localização e potencial das usinas iranianas.

Permitir que este regime tenha armas nucleares é inconcebível, até mesmo para seus aliados de última hora como China e Rússia. Que em sã consciência ficaria seguro com a viável hipótese do Irã apertar o botão e dar início à destruição mundial?

Nas duas guerras temos uma potência extremamente forte, até agora discreta e muito organizada: China. Até quando vale a pena para o Presidente Xi Jinping continuar a cacifar a Rússia e o Irã?

A China compra quase todo petróleo russo e iraniano, fornece suprimentos básicos a estes países além de suporte logístico e de equipamentos militares a ambos. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo e preparou-se para enfrentar estas duas guerras, apesar de não participar diretamente delas.

Se por um lado o desgaste financeiro, militar e político dos Estados Unidos agrada ao governo chinês, há dois fatores que tiram o sono de Xi Jinping. O primeiro é imaginar que seu vizinho e recém aliado radical teocrata islâmico possa ter armas nucleares de médio alcance e, o outro é sentir que a economia mundial está sendo duramente castigada com o aumento do preço do petróleo, retração, receio de crescimento e desenvolvimento.

As coisas já não estão como antes para a economia chinesa e, como o mercado interno é incapaz de absorver a gigantesca produção, as exportações são questão de sobrevivência do gigante asiático. Para o mundo continuar a comprar da China as economias não podem estar em recessão, com inflação elevada devido ao preço do petróleo, desemprego crescendo e sem perspectiva de melhora a médio prazo.

Para o cliente comprar não basta o produto ser bom ou necessário, precisa ter dinheiro para pagar. Quanto mais se gasta para manutenção básica e nota-se que a entrada de dinheiro pode diminuir, ninguém consciente vai manter os gastos elevados. Quem gasta mais para manter-se consome menos aquilo que não é extremamente necessário. O supermercado chinês começar a ter dificuldades em esvaziar as prateleiras.

A realidade é que enquanto a China não der um basta na Rússia e no Irã, só a utilização de extrema força militar dos Estados Unidos com todas as sequelas poderá por fim a estes conflitos.


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