Ministro da Saúde destaca avanços, mas lembra que estigma e desigualdades ainda dificultam prevenção

Gabriela Nogueira Publicado em 01/12/2025, às 18h11
Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra o HIV e data que marca o início do Dezembro Vermelho, o debate sobre prevenção, tratamento e combate ao estigma ganha força em todo o mundo. A data, tradicionalmente dedicada à conscientização, chega neste ano com um alerta contundente de autoridades internacionais: conquistas históricas no enfrentamento ao vírus correm risco.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em suas redes sociais que interrupções em programas de saúde, redução de financiamentos e legislações punitivas vêm dificultando o acesso de populações vulneráveis ao diagnóstico e ao tratamento. Segundo ele, a resposta global precisa ser reforçada para impedir que retrocessos comprometam décadas de avanços. “Erradicar a AIDS implica empoderar comunidades e garantir acesso ao cuidado para todos”, declarou.
Dados do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS mostram que 40,8 milhões de pessoas vivem com o vírus no mundo. As projeções para 2024 apontam 1,3 milhão de novas infecções, enquanto 9,2 milhões ainda não recebem o tratamento necessário. A ONU alerta que o impacto econômico da epidemia pode atingir três trilhões de dólares por ano até o fim da década se medidas urgentes não forem adotadas.
No Brasil, o panorama epidemiológico reflete desafios persistentes. De acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o país registra mais de 1,16 milhão de casos desde 1980, com média anual de 36 mil novas infecções nos últimos cinco anos. Em 2023, foram confirmados mais de 46 mil novos casos, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior. A maioria dos diagnósticos ocorre em pessoas negras, além de adultos entre 25 e 39 anos. Entre idosos, a taxa de infecção cresceu quase 34% na última década.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou avanços como a queda na mortalidade pela doença e a eliminação da transmissão vertical como problema de saúde pública. Ele destacou, porém, que desigualdades de acesso ainda afetam de forma significativa populações vulneráveis. “Ainda há muito trabalho pela frente para assegurar acesso, combater o estigma e ampliar a prevenção”, afirmou.
O país reforça seu compromisso com as metas internacionais da OMS para 2030, que preveem diagnosticar e tratar 95% das pessoas vivendo com HIV. O Brasil também busca reduzir em 90% os novos casos e os óbitos associados à AIDS até 2030, tomando como referência os números de 2010.
Entre gestantes, a situação também preocupa: desde 2000, já são mais de 166 mil casos registrados, e a taxa de detecção chegou a 3,3 por mil nascidos vivos em 2023. Considerando os óbitos, o país registrou 10.338 mortes relacionadas à AIDS no último ano, sendo 63% entre pessoas negras.
Ao longo do mês, campanhas nacionais e internacionais reforçam a importância do diagnóstico precoce, da testagem regular e da prevenção combinada, que inclui PrEP, preservativos e acompanhamento médico. Para especialistas, derrubar barreiras de acesso e combater o estigma são passos fundamentais para evitar novos retrocessos e avançar rumo ao fim da epidemia como ameaça à saúde pública.
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