Ele foi o quinto paciente a ser curado com esse tipo de tratamento

Vitória Tedeschi Publicado em 20/02/2023, às 18h55
Em estudo publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Nature Medicine, cientistas do Hospital Universitário de Düsseldorf, na Alemanha, anunciaram o quinto paciente curado do HIV - vírus que provoca a AIDS - após transplante de medula óssea.
Os outros quatro pacientes com HIV conseguiram ser curados, o primeiro deles em Berlim, em 2009, e o segundo em Londres, em 2019, o terceiro foi uma mulher em 2022 e o quarto um homem de 66 anos, também em 2022.
Desta vez, o homem que entrou em remissão tem 53 anos e ficou conhecido como "paciente de Düsseldorf", em alusão à cidade onde fica o hospital. Ele foi diagnosticado com leucemia mieloide aguda (LMA), um tipo de câncer, em 2011, seis meses após dar início ao tratamento para o HIV.
Já em 2013, precisou passar por um transplante de medula óssea, também conhecido como transplante de células-tronco, devido ao avanço do tumor. Foi quando os médicos buscaram um doador com genética resistente ao vírus.
Desde o início, o objetivo do transplante era controlar tanto a leucemia quanto o vírus HIV", disse o médico Guido Kobbe, que realizou o transplante, em comunicado publicado pela revista.
Após esta operação, ele conseguiu interromper o tratamento que fazia contra o HIV. Isso prorque, nas análises que fizeram, não encontraram vestígios de partículas virais, reservas virais ou resposta imune contra o vírus.
Os cinco pacientes que conseguiram a cura definitiva da AIDS têm o mesmo ponto em comum: todos sofriam de câncer no sangue e por isso foram tratados com um transplante de células-tronco, que renovou profundamente seu sistema imunológico.
O artigo ainda cita que nos cinco casos inéditos, o doador tinha uma rara mutação no gene CCR5, uma alteração genética que impede o HIV de entrar nas células.
Durante um transplante de medula óssea, as células imunes do paciente são totalmente substituídas por células do doador, o que permite eliminar a grande maioria das células infectadas", explica o virologista Asier Sáez-Cirion, um dos autores, no comunicado.
Embora esses casos dêem aos cientistas a esperança de encontrar uma cura para a AIDS, o transplante de células-tronco é um tratamento arriscado e não adaptado à situação da maioria dos pacientes com HIV.
Vale lembrar que o primeiro caso, chamado "paciente de Berlim", permaneceu curado por 12 anos - até morrer de leucemia, em setembro de 2020. O segundo, chamado de "paciente de Londres", está em remissão do HIV há mais de 35 meses. O último curado, o homem de 66 anos (na época), foi o mais velho a receber um transplante de células-tronco.
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