
por Reinaldo Polito
Publicado em 25/05/2025, às 13h58
“O senhor hoje resgatou o nosso orgulho de sermos advogados.” Foi um dos elogios mais tocantes que recebi em minha carreira. Aconteceu numa noite memorável de 2008, e até hoje paira nas minhas lembranças como se tivesse sido ontem.
Depois de mais de 40 anos atuando como palestrante, não havia motivo para que eu ficasse ansioso antes de enfrentar uma plateia. Naquela noite de quarta-feira, 20 de agosto de 2008, entretanto, meu coração batia um pouco mais forte. Era o dia programado para a palestra de lançamento do livro Oratória para advogados.
Dois dos melhores oradores da área do Direito
O auditório principal e todas as salas da OAB de São Paulo estavam lotadas de advogados. O evento foi dirigido por Luiz Flávio Borges D’Urso, presidente da entidade. Compondo a mesa estava também Edilson Mougenot Bonfim, considerado um dos melhores promotores de justiça do país. Foi ele quem conseguiu condenar o Maníaco do Parque.
D’Urso e Mougenot são expoentes entre os oradores da área do Direito. A minha responsabilidade era enorme, pois iria falar sobre a importância da comunicação diante desses dois expoentes da arte de falar em público e de uma plateia exigente, acostumada a assistir a brilhantes apresentações.
Os dois falaram antes e encantaram os ouvintes com invejável competência oratória. Não havia competição. O ambiente era amistoso. Mas, mesmo não querendo, a comparação entre os oradores seria natural. Como autor do livro que ensinava advogados a falar bem, eu precisava corresponder à elevada expectativa. Depois daquela dupla, só o dilúvio. Deu certo.
No final, recebi um dos elogios mais gratificantes da minha vida. Um grupo de advogados se aproximou da mesa diretora, e o mais sênior disse: “Professor, eu falo em nome de todos os meus colegas que me delegaram essa missão. O senhor hoje, com a sua palestra, resgatou o nosso orgulho de sermos advogados.” Fiquei emocionado ao ouvir aquelas palavras tão benevolentes.
Durante horas permaneci feliz naquele local, autografando os livros. Esgotaram-se todos os exemplares. Nem nos meus melhores sonhos eu poderia prever uma noite como aquela. Nenhum senão, desde o início até o momento de nos retirarmos.
Ainda bem que a minha família estava presente. Essas ocasiões, por si, não bastam, precisamos das pessoas queridas para compartilhar nossa felicidade. Terminado o evento, passamos horas comentando cada detalhe da solenidade.
O livro foi, e continua sendo, um sucesso. Ultrapassou os 100 mil exemplares vendidos. Foi adotado pelas mais diversas faculdades de Direito, conquistou a chancela da OAB SP e do Conselho Federal da OAB.
Acaba de ser lançada a 3ª edição, atualizada e com nova roupagem. Li e reli cada uma de suas páginas. Analisei cada um dos exemplos. Quis me certificar de que nada havia escapado. Mesmo sendo bastante crítico e rigoroso, concluí que tudo está em ordem. É a consciência tranquila de que essa obra tem ajudado milhares de advogados a serem mais competentes na sua profissão. Passados 17 anos daquela noite memorável, as palavras daquele advogado continuam vivas na minha memória.
Pensei em reproduzir aqui um trecho do livro que pudesse ser representativo da obra. Entre todos os conceitos, escolhi um que julgo fundamental para o sucesso e a felicidade do operador do Direito: “A imagem bem construída”, já que a boa reputação do advogado é o que norteia todos os passos de sua carreira.
Quem orienta sobre esse aspecto tão relevante é o professor Clovis Paulo da Rocha, no seu discurso como paraninfo da turma da Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil. Como o papel do paraninfo é este: dar a última aula, deixar aos formandos a derradeira mensagem, não poderia ter sido mais feliz e oportuno:
“O advogado, antes de aparecer em Juízo com uma causa cível, já foi o magistrado que no seu gabinete o estudou, apreciou sua moralidade e sua justiça, e aquiesceu em dar-lhe o seu patrocínio. Julgou, antes de que fosse sobre ela proferida a decisão oficial. Para bem exercer sua função é mister o conhecimento exato da sua ciência e, uma vez aceita a causa, deve identificar-se com ela, dedicar-se, estudá-la e apresentá-la com roupagem escorreita e com todos os ângulos ou feições jurídicas devidamente apreciados, a fim de que possa obter o necessário êxito”.
Que aula! São aqueles ensinamentos que não permitem nenhum acréscimo ou subtração. É o conselho que deve ser emoldurado para servir de guia a todos os profissionais. Por isso, me sinto tão gratificado em ter escrito um livro que, com rigor técnico e paixão pela comunicação, tem sido útil aos advogados e profissionais do Direito. Se você também valoriza a palavra bem falada e a reputação bem construída, esta nova edição foi feita para você.
Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação, palestrante e professor de Oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão de Marketing e Comunicação, Gestão Corporativa e MBA em Gestão de Marketing e Comunicação na ECA-USP. Escreveu 38 livros, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram: @polito pelo facebook.com/reinaldopolito pergunte no https://reinaldopolito.com.br/home/,
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