
Rachel Sheherazade Publicado em 10/06/2026, às 17h57
A proposta de aumentar a imunidade tributária das igrejas, aprovada pela Câmara, pode resultar em bilhões em prejuízos para os cofres públicos, enquanto a sociedade arca com a falta de arrecadação. Essa situação evidencia um descompasso moral entre a classe política e a população, que já enfrenta injustiças tributárias.
O Congresso deixou caducar uma medida que taxaria bilionários e empresas de apostas, o que poderia aumentar a arrecadação em mais de 20 bilhões de reais, aliviando a carga sobre pequenos empresários e trabalhadores. A atual legislatura tem priorizado os interesses de grandes contribuintes em detrimento da justiça fiscal.
Se o projeto de aumento da imunidade tributária for sancionado, templos religiosos poderão adquirir bens sem pagar impostos, o que resultará em um aumento de pelo menos 1% na carga tributária dos cidadãos. Questionar essa imunidade não é um ataque à liberdade religiosa, mas uma defesa da equidade fiscal.
A vida em coletividade não gira em torno do que a gente gosta ou não, do que a gente quer ou não fazer.
Não há liberdade irrestrita na vida em sociedade.
A gente não pode dizer tudo o que pensa, nao pode fazer tudo o que quer…
Os impostos, por exemplo.
Ninguém gosta de pagá-los, mas é preciso.
Por que o Estado não se banca sozinho.
As ruas e praças não são autolimpantes, as estradas, as escolas e os hospitais não brotam do chão, a polícia não trabalha de graça….
Tudo tem um custo e esse custo deve ser rateado.
O problema não é pagar tributos, mas ver esses impostos irem para o ralo, serem desviados, mal investidos…
E como se não bastasse o mau uso dos impostos, a gente tem que enfrentar a injustiça tributária: quando quem ganha mais paga menos, quando quem tinha que pagar imposto, simplesmente não paga.
Isso só acontece por que há um descompasso moral entre a classe politica e a sociedade.
Quem define quem paga o quê são os parlamentares: deputados e senadores que votam leis, que instituem os impostos, mas, que também definem quem são os privilegiados isentos de pagar tributos.
No ano passado, o Congresso inimigo do povo deixou caducar uma medida provisória que propunha taxar os bilionários, as Bets (as empresas de apostas eletrônicas) e os bancos, que aumentaria a arrecadação, diminuindo o impacto dos impostos sobre os pequenos empresários e a classe trabalhadora.
Essa proposta iria arrecadar mais de 20 bilhões de reais este ano. Mas, os parlamentares desta atual legislatura fizeram de tudo para proteger os privilégio desses bilionários. E assim foi feito.
A lógica é simples, meus amigos: quando quem tem que pagar imposto não paga, essa conta vai cair no colo de alguém.
Agora, o Congresso inimigo do povo quer aumentar a isenção de impostos para templos religiosos.
Pela Constituição, as igrejas já possuem a chamada “imunidade tributária”.
Apesar do seu imenso patrimônio financeiro e do quanto esses templos arrecadam com ofertas, dizimos e outros ganhos, eles não pagam impostos como IPTU e IPTR sobre seus imóveis, não pagam o IPVA dos seus veículos, não pagam imposto de renda… Os templos religiosos são isentos de ICMS sobre todos os bens que comercializam. Graças à imunidade tributária, os templos religiosos também não pagam impostos sobre serviços prestados.
Mas, essa imunidade tributária é bancada por toda a sociedade.
Quando um não paga imposto o outro arca com esse imposto.
Não tem milagre.
Agora, um projeto do deputado Marcelo Crivela, aprovado no final de maio, quer aumentar ainda mais a imunidade tributária das igrejas.
Caso aprovada no Senado e sancionada, a nova lei vai permitir a compra de bens de consumo como câmeras, microfones, materiais de construção, artigos mobiliários e de decoração, e até mesmo a compra de jatinhos e helicópteros sem o pagamento dos impostos devidos.
Para os cofres públicos, o prejuízo seria na casa dos bilhões.
Segundo o ministro da Fazenda, para garantir o privilegio dos donos de templos religiosos, o contribuinte teria um aumento de, pelo menos, um por cento em seus impostos.
Não tem mistério: o privilegio de uns é pago com o sacrifício de outros.
E que fique muito claro: questionar a imunidade tributaria não significa atacar a liberdade religiosa.
Quando Cristo foi perguntado se os judeus deveriam pagar impostos à Roma, a resposta foi clara:
“Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”
Para Jesus, os assuntos terrenos não deveriam se misturar às coisas celestiais. E nenhum fiel poderia negligenciar seus deveres cívicos em nome de Deus ou da religião.
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