Presidente criticou a nova taxação anunciada por Washington e defendeu a valorização da produção e da mão de obra nacional

Lívia Gennari Publicado em 10/06/2026, às 17h06
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (10), as novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que o país não pode aceitar as medidas sem questionamentos. A declaração foi feita durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, conhecido como Conselhão, em Brasília.
Durante o discurso, Lula disse que a taxação imposta pelo governo norte-americano representa uma falta de respeito aos trabalhadores brasileiros e defendeu uma reação firme diante das restrições comerciais. Segundo ele, o Brasil precisa preservar sua soberania e valorizar a própria produção.
Essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos o direito de aceitar por dignidade e respeito ao que nós fazemos aqui com os trabalhadores brasileiros", afirmou durante o discurso.
O presidente também solicitou a elaboração de um levantamento sobre as condições de trabalho nos Estados Unidos. Lula afirmou querer conhecer melhor os salários e os direitos garantidos aos trabalhadores americanos antes de aceitar críticas relacionadas às políticas adotadas pelo Brasil.
Ao comentar as justificativas apresentadas pelos EUA para a aplicação das tarifas, o chefe do Executivo questionou especialmente os apontamentos ligados ao meio ambiente. Ele argumentou que o Brasil tem avançado em suas políticas de preservação e sugeriu que países desenvolvidos também deveriam analisar o próprio histórico ambiental.
O tarifaço
As declarações ocorrem após o governo norte-americano anunciar, na última semana, um novo pacote tarifário que atinge cerca de 60 parceiros comerciais, entre eles o Brasil. No relatório que embasou a medida, autoridades dos Estados Unidos apontaram preocupações relacionadas à segurança jurídica, ao sistema de pagamentos Pix, à concessão de patentes, ao combate à pirataria, ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.
O documento foi elaborado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo americano adotar sanções e tarifas contra países considerados responsáveis por práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.
Em resposta, o governo brasileiro reiterou que mantém o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, meta anunciada em 2023. Integrantes da administração federal também defendem que as políticas econômicas e ambientais do país seguem padrões compatíveis com acordos internacionais e contestam parte das críticas apresentadas por Washington.
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