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Neymar, Zambelli e Vorcaro movimentaram a vida dos brasileiros

Imagem: Reprodução
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Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 24/05/2026, às 10h42


Se alguém estivesse enrolado com alguma notícia negativa na semana passada, deve ter ficado aliviado. Alguns fatos serviram como cortina de fumaça para qualquer um que estivesse rezando por ajuda divina. Suas preces foram atendidas. Deve ser desesperador ligar a TV ou abrir os jornais e se ver mal nas manchetes.

De repente, Neymar é convocado pelo técnico Carlo Ancelotti para voltar à seleção brasileira. Nas 48 horas que se seguiram, a imprensa não deixou de comentar esse assunto por um instante sequer. Era o tema do momento. Alguns comentaristas ficaram exultantes ao ver suas expectativas atendidas, enquanto outros espumaram de raiva, como se Neymar fosse um grande desafeto.

Sem extradição

Quando a convocação dos jogadores, especialmente a da maior estrela da equipe, Neymar, começava a virar nota de rodapé, eis que surge uma verdadeira bomba vinda da Itália: a Corte de Cassação de Roma, instância máxima do Judiciário daquele país, em decisão definitiva, negou o pedido de extradição de Carla Zambelli feito pelo governo brasileiro.

Foi uma decisão tão inesperada que até o advogado da ex-deputada, Fábio Pagnozzi, demonstrou surpresa com o resultado. Seus familiares, com quem conversei recentemente, também haviam colocado a situação nas mãos de Deus. Já não tinham mais esperanças de que surgisse um desfecho favorável.

Delação recusada

Carla foi para a Itália há quase um ano, depois de sua condenação criminal no STF (Supremo Tribunal Federal). O caso parecia tão irreversível que o ministro Moraes, há poucos dias, havia solicitado que sua extradição fosse acelerada. Sua vinda para o Brasil, portanto, era esperada a qualquer momento. Essa mudança representou uma impressionante reviravolta.

E, se não bastassem essas duas notícias espetaculares para promover a troca das manchetes, a Polícia Federal rejeitou o acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. Os responsáveis pelas investigações concluíram que o material fornecido pelo ex-banqueiro era omisso, com a intenção clara de proteger nomes importantes da República. Por isso, perdeu os benefícios a que teria direito e voltou para uma cela comum.

Áudio perdeu a força

Essa resistência, entretanto, parece ter prazo de validade. O motivo seria a situação de seu pai, Henrique Vorcaro. Há relatos de que ele sofreu surtos e fortes crises de choro na prisão. São suposições, mas que acabam merecendo espaço na imprensa. Os meios especializados em política tratam desse tema à exaustão.

Por esses motivos, a divulgação do áudio com a conversa de Flávio Bolsonaro e Vorcaro perdeu força e já não ocupa o espaço que havia conquistado há pouco tempo. O adversário de Lula deve ter gostado desse desvio de holofotes. Assim, ganha tempo para ajustar o discurso e construir explicações mais adequadas.

Pesquisas alentadoras

Além dessa cortina de fumaça provocada por notícias impactantes, outro alento para Flávio foram as pesquisas realizadas depois da divulgação do áudio revelando sua conversa com o ex-banqueiro. Embora o Datafolha mostre Lula com 47% e Flávio com 43% das intenções de voto no segundo turno, esse empate técnico deve ter sido recebido com alívio pela oposição.

Nada se compara, entretanto, com os números divulgados pelo Instituto GERP. Nesse levantamento, Flávio empata no primeiro turno com 38%, mas vence no segundo por 47% a 43%. Há ainda um fator importante: sua rejeição é menor que a de Lula — 43% contra 45%, respectivamente.

Nada de salto alto

Essas idas e vindas são lições exemplares da política. Com notícias surpreendentes a cada instante e números oscilando como uma gangorra, nenhum candidato pode se comportar de salto alto. Os votos precisam ser disputados quase no corpo a corpo. Um pequeno vacilo, como a divulgação de conversas comprometedoras, pode mudar totalmente o rumo das eleições.

Sem contar os pacotes de bondade programados pelo governo como forma de se fortalecer ainda mais junto ao eleitorado. O perdão de dívidas e outros benefícios podem deixar as pessoas felizes e mais dispostas a votar em quem as ajudou.

Flávio também tem seu arsenal preparado. Ninguém duvida de que, nas próximas semanas, as manchetes reservarão espaços generosos para falar da visita que fará a Donald Trump nos Estados Unidos. Esse será um fato relevante que dificilmente passará em branco. Ah, e a campanha ainda nem começou. Só estamos na pré-campanha. Siga pelo Instagram: @polito


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