Diário de São Paulo
Siga-nos
COLUNA

Com esses sucessivos problemas, Lula se basta para perder as eleições

A responsabilidade de Lula se estende a seus ministros, e escândalos recentes podem comprometer sua imagem e reputação

Com esses sucessivos problemas, Lula se basta para perder as eleições - Imagem: Reprodução/X/Twitter
Com esses sucessivos problemas, Lula se basta para perder as eleições - Imagem: Reprodução/X/Twitter
Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 04/05/2025, às 13h23


A turma que governa o país tem muitos nomes que participaram dos maiores escândalos da história do Brasil. Foi com boa parte desse pessoal que ocorreu o Mensalão, o Petrolão, a Lava Jato. O tempo passa, uma espécie de amnésia ronda a mente da população, mas jamais se esquece de vez.

A cada escândalo que se sucede revivem-se problemas já vistos, já digeridos, e no meio dos imbróglios um nome está sempre presente, não importando se tem culpa no cartório ou não. Lula é o grande chefe. É ele quem escolhe os ministros e fica com a responsabilidade por aqueles que ocupam cargos de segundo e terceiro escalões.

Um grande escândalo

Portanto, qualquer falcatrua, ainda que não esteja ao alcance direto de suas mãos, respinga na sua imagem e pode comprometer sua reputação. Sem contar que todas aquelas delações e documentos que o acusaram diretamente embasaram o voto dos juízes que o condenaram à prisão, com decisões unânimes em três instâncias.

Por isso, quando vêm à tona notícias escabrosas de que “velhinhos aposentados” foram surrupiados em mais de 6 bilhões de reais, e isso apenas nos levantamentos preliminares, o presidente pode até demitir o ministro, como efetivamente demitiu, e tentar se proteger das acusações, mas precisará dar explicações consistentes para não ser percebidocomo responsável.

Muita gente afetada

Se esses desvios não atingem diretamente determinado eleitor, é provável que afetem alguém da sua família. E mesmo que a pessoa não faça parte desse grupo, por solidariedade ou por ojeriza à corrupção, também tirará suas conclusões não tão favoráveis e partirá para a crítica.

O presidente pode ser colocado contra a parede ou por ter escolhido mal os colaboradores, ou por ter permitido que a roubalheira acontecesse debaixo dos seus olhos por tanto tempo e com valores tão vultosos. Ninguém entendeu, aliás, a hesitação para demitir o ministroda Previdência, Carlos Lupi. Outro agravante é que Lula anda de braços dados com os sindicatos, apoiadores ferrenhos de suas ações.

Os problemas se acumulam

Já foi difícil explicar o imposto das blusinhas. Mais ainda as trapalhadas envolvendo o PIX, que teriamou nãoa intenção de morder os valentes sobreviventes que recebem até cinco mil reais. Falaram, espernearam, discursaram, mas, no fim, a maioria ficou com a impressão de que, se não houvesse gritaria, cairia nas garras do leão.

Em todos os casos, o governo pensa, pensa, pondera, pondera... e acaba perdendo o momento certo de agir. O que dizem depois era o que deveriam ter dito antes, quando as opiniões ainda não estavam cristalizadas. E, sem ter a quem culpar, acabam escolhendo os responsáveis pela comunicação como bodes expiatórios.

Nada a comemorar

E que ninguém se anime demais com os números das últimas pesquisas. As manchetes foram barulhentas: “Pesquisa aponta recuperação na popularidade de Lula”. Quem se atém apenas a essa celebração pode achar que os problemas começam a ser resolvidos. Será?

A desaprovação caiu de 53,6% para 50,1%. Está praticamente dentro da margem de erro. O que deve ser levado em conta é que mais da metade dos brasileiros ainda desaprova o governo.O drama continua. E, com escândalos atingindo uma das camadas mais vulneráveis da população, como os aposentados, haja Sidônio para segurar a bomba.

Basta somar: os preços incontroláveis dos alimentos e dos combustíveis, que se afastam dos discursos oficiais. A criminalidade que teima em continuar em níveis insustentáveis, sem que o governo apresente proposta concreta para reverter a situação. A carga de impostos, cada vez mais elevada, para tentar segurar gastos que não param de crescer.

A tempestade continua

Achar que essas pesquisas são positivas é, no mínimo, uma tentativa de autoengano, ou de motivar os descontentes a acreditarem que algo começa a mudar. Mas poucos se convencem. Na verdade, quase ninguém. As eleições estão próximas. Com esse desempenho que não encanta, ou o governo dá uma virada de mesa e muda de fato o rumo, ou continuará tropeçando e dando desculpas.

E agora vem aí uma CPI. A oposição já está com a faca nos dentes. Vai fazer barulho. E, como mostra a experiência, todos sabem como uma CPI começa,mas ninguém garante como termina.

E se Lula quiser mesmo disputar as próximas eleições com melhores chances de vitória, vai precisar mais do que discurso, troca de ministros, mudança na comunicação e outros paliativos. Teráde agir com os olhos voltados para as necessidades e expectativas da população. Pelo que fez nesses pouco mais de dois anos, parece que não vai arregaçar as mangas para enfrentar esse desafio. Logo saberemos.

Reinaldo Polito é Mestre em Ciências da Comunicação, palestrante e professor de Oratória nos cursos de pós-graduação em Marketing Político, Gestão de Marketing e Comunicação, Gestão Corporativa e MBA em Gestão de Marketing e Comunicação na ECA-USP. Escreveu 37 livros, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos em 39 países. Siga no Instagram: @polito pelo facebook.com/reinaldopolitopergunte no https://reinaldopolito.com.br/home/


Tags

últimas notícias