Sorria primeiro e seja feliz na sequência...

por Rabino Sany Sonnenreich
Publicado em 31/10/2022, às 09h20
Alguém poderia pensar que um país cujos cidadãosenfrentam o terror regularmente e estão cercados por inimigos hostis os quais buscam seu extermínio ficaria paralisado pelo medo e debilitado pela angústia. Em vez disso, apesar dos perigos diários, os israelenses estão notavelmente felizes.
De acordo com o Relatório Mundialda Felicidade deste ano, que acaba de ser divulgado, Israel subiu para sua classificação mais alta até agora, entrando no top 10 dos países mais felizes do mundo. A Finlândia ficou em primeiro lugar pelo quinto ano consecutivo, enquanto o Afeganistão ficou em último lugar, no número 146. No número 9, os israelenses são mais felizes que os canadenses (15), os americanos (16) e o povo do Reino Unido (17).
Quando incluíram a “busca da felicidade” como um direito americano, é quase como se houvesse uma concessão inerente de que a felicidade pode ser buscada. Nâo obstante, é difícil de alcançar. Para muitos, essa busca tornou-se cansativa e, de fato, eles desistiram. Psicólogo de Harvard, Daniel Gilbert escreveu um livro chamado “Stumbling on Happiness” (no Brasil, com o título: “O Que Nos Faz Felizes. O Futuro Nem Sempre é o que Imaginamos). Nele, ele argumenta que as coisas e experiências que normalmente prevemos e imaginamos nos trazerem felicidade raramente o fazem. Em vez disso, diz ele, a felicidade é ilusória e, embora haja esforços que possamos fazer, nossa melhor aposta é esperar tropeçar nela.
O Judaísmo discorda. Felicidade, simchá, não é algo em que tropeçamos por acidente. É o resultado de uma decisão consciente, de uma atitude determinada. Em Caminhos dos Justos, Rabi Moshe Chaim Luzzatto escreve que ser feliz e alegre não é um luxo ou simplesmente preferível; são componentes críticos de uma vida significativa.
Costumamos pensar que, quando estamos felizes, sorrimos. Contudo, a ordem é inversa. A ciência mostrou que o simples ato de, primeiramente, sorrir, envolvendo os micromúsculos pertinentes, pode melhorar o humor, diminuir o estresse, fortalecer o sistema imunológico e até prolongar a vida. Quando você sorri, seu cérebro libera neuropeptídeos para ajudar a combater o estresse. Dopamina, serotonina e endorfinas liberadas aliviam a dor e proporcionam prazer.
Como resultado, escolher sorrir é escolher a felicidade! Não apenas para você, mas também para as pessoas ao seu redor. Nicholas Christakis, professor da Harvard Medical School, descobriu que a felicidade não está sozinha em companhia; ela também é contagiante. Conhecer alguém que é feliz aumenta em 15,3% a probabilidade de você ser feliz. Um amigo de um amigo feliz aumenta suas chances de felicidade em 9,8% e até mesmo o amigo da irmã do seu vizinho pode lhe dar um aumento de 5,6%.
A felicidade ocorre quando tomamos a decisão de nos concentrar nas bênçãos em nossas vidas, não importa quão desafiadoras ou formidáveis sejam as lutas que enfrentamos. Se nossa felicidade resulta das bênçãos que já temos, sempre podemos encontrar a felicidade, porque sempre temos pelo menos alguma coisa. Mas se nossa felicidade é determinada pelo que não temos, como: "se eu tivesse mais dinheiro, uma casa melhor, um emprego melhor, um cônjuge mais amoroso, filhos mais leais”, nunca seremos felizes porque sempre podemos ter mais e, portanto, por definição, sempre haverá algo que não temos e uma busca incessante e desenfreada pela “tal felicidade”!
Em uma aula recente, desafiei todos a fazerem o esforço consciente de sorrir mais, especialmente quando não estamos com vontade. Sorria antes de entrar em casa. Sorria quando as crianças entrarem no carro. Sorria ao cumprimentar sua família no final do dia. Seja intencional, crie o hábito e a rotina de sorrir em diversos momentos. Esse hábito criará o clima, introduzirá a energia fará você mais feliz e pleno.
Não acredite em mim.
Tente você mesmo.
Não tropece na felicidade! Escolha-a sorrindo mais!!
Rav Sany
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