Diário de São Paulo
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FRAUDE ELEITORAL

Vereadores são afastados após suspeita de candidaturas fictícias para burlar cota de gênero

Investigação aponta uso de mulheres como “laranjas” em esquema eleitoral; Justiça determinou afastamento e medidas restritivas.

Operação da Polícia Federal investiga fraude eleitoral com uso de candidaturas femininas fictícias em Juazeiro (BA). - Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Operação da Polícia Federal investiga fraude eleitoral com uso de candidaturas femininas fictícias em Juazeiro (BA). - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

Redação Publicado em 07/04/2026, às 10h49


Uma operação da Polícia Federal em Juazeiro expôs um esquema de fraude eleitoral envolvendo vereadores do União Brasil, resultando no afastamento de dois parlamentares por decisão da Justiça Eleitoral.

Os investigados teriam utilizado 'candidaturas laranja' para cumprir a cota de gênero, registrando candidatas que não participaram efetivamente da campanha, mas que receberam recursos do fundo eleitoral.

Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e a Justiça suspendeu as atividades do diretório partidário, além de proibir os vereadores afastados de acessar a Câmara Municipal e contatar servidores públicos.

Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira (7) revelou um suposto esquema de fraude eleitoral em Juazeiro, envolvendo vereadores e lideranças partidárias. Dois parlamentares do União Brasil foram afastados de seus cargos por decisão da Justiça Eleitoral.

Os investigados são Hitallo Marcelino e Anderson da Iluminação. Segundo as apurações, o grupo teria burlado a legislação eleitoral ao registrar candidaturas femininas apenas de forma simbólica, sem participação real na disputa.

A prática, conhecida como uso de “candidaturas laranja”, teria sido utilizada para cumprir a exigência legal de cota de gênero — que determina o percentual mínimo de mulheres nas chapas eleitorais. De acordo com a investigação, algumas das candidatas não realizaram campanha efetiva, mas ainda assim teriam recebido recursos do fundo eleitoral.

Além disso, há indícios de que, após o pleito, integrantes do grupo tentaram formalizar a fraude. Uma das mulheres envolvidas teria sido pressionada a reconhecer em cartório que sua candidatura era fictícia, o que poderia influenciar diretamente no resultado eleitoral e beneficiar terceiros.

Durante a operação, foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou a suspensão das atividades partidárias do diretório envolvido, além de proibir os vereadores afastados de acessarem a Câmara Municipal e manterem contato com servidores públicos.

Materiais como documentos, equipamentos eletrônicos e dinheiro em espécie foram apreendidos pelos agentes, que seguem analisando o conteúdo para aprofundar as investigações.

O caso reforça o debate sobre o uso indevido de candidaturas femininas no Brasil e a necessidade de fiscalização mais rigorosa para garantir a efetividade das políticas de inclusão na política.


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