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Tarifaço

Brasil sinaliza reação estratégica ao tarifaço dos EUA, mas evita resposta imediata

Ministro do Desenvolvimento afirma que o país usará a Lei da Reciprocidade "quando for necessário" e reforça que o governo busca preservar espaço para negociação com Washington.

Ministro Márcio Elias Rosa afirma que o Brasil poderá acionar a Lei da Reciprocidade, mas defende resposta estratégica para preservar as negociações com os Estados Unidos. - Imagem:  Júlio César Silva / MDIC
Ministro Márcio Elias Rosa afirma que o Brasil poderá acionar a Lei da Reciprocidade, mas defende resposta estratégica para preservar as negociações com os Estados Unidos. - Imagem: Júlio César Silva / MDIC

Redação Publicado em 22/07/2026, às 10h00


O governo brasileiro defende uma resposta estratégica às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre exportações nacionais, com o ministro Márcio Elias Rosa afirmando que medidas serão tomadas no momento certo para evitar um conflito comercial maior.

A sobretaxa, que afeta cerca de US$ 7,2 bilhões em exportações brasileiras, representa 19% do total enviado ao mercado norte-americano, e o Brasil participou de mais de 30 reuniões com autoridades dos EUA para tentar reverter a decisão.

Embora o governo mantenha a possibilidade de retaliação, a prioridade é buscar uma solução negociada que minimize os impactos sobre as empresas brasileiras e preserve o comércio entre os dois países.

O governo brasileiro voltou a defender uma resposta estratégica às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (22), o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o Brasil dispõe de instrumentos para reagir, mas que qualquer medida será adotada apenas no momento considerado mais adequado.

Segundo o ministro, a aplicação da Lei da Reciprocidade será avaliada com cautela para não comprometer as negociações diplomáticas em andamento. Ao comentar a postura do governo, ele afirmou que uma eventual retaliação precisa produzir efeitos concretos e não apenas ampliar o conflito comercial entre os dois países.

A sobretaxa de 25% entrou em vigor nesta quarta-feira e atinge aproximadamente US$ 7,2 bilhões das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. O percentual representa cerca de 19% do total embarcado pelo Brasil para os Estados Unidos, segundo estimativas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com base nos números de 2025.

Márcio Elias Rosa ressaltou que, ao longo dos últimos 30 dias, representantes brasileiros participaram de mais de 30 reuniões com autoridades norte-americanas na tentativa de evitar a adoção das tarifas. Apesar das negociações, o governo dos Estados Unidos manteve a decisão após concluir uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Na avaliação do ministro, os argumentos apresentados por Washington não refletem a realidade das relações comerciais entre os dois países. Ele afirmou que houve diálogo permanente durante o processo, mas reconheceu que as tratativas não foram suficientes para impedir a entrada em vigor da medida.

O relatório do USTR sustenta que o Brasil adota práticas consideradas desleais ao comércio internacional. Entre os pontos citados estão políticas tarifárias preferenciais, alegadas falhas na proteção da propriedade intelectual, dificuldades de acesso ao mercado brasileiro para determinados produtos norte-americanos, críticas ao combate ao desmatamento ilegal e questionamentos ao sistema de pagamentos instantâneos Pix.

O documento também afirma que o Pix criaria vantagens competitivas em relação a empresas privadas estrangeiras que atuam no segmento de pagamentos digitais, argumento que vem sendo contestado por integrantes do governo brasileiro e por autoridades do Banco Central.

Enquanto mantém aberta a possibilidade de reagir comercialmente, o Planalto reforça que a prioridade continua sendo uma solução negociada. A estratégia busca minimizar impactos sobre empresas exportadoras brasileiras e preservar o fluxo comercial entre as duas maiores economias do continente.


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