Funcionários do Consulado-Geral do Brasil afirmam, em cartas enviadas ao Ministério das Relações Exteriores, que enfrentaram um ambiente de trabalho marcado por intimidação, retaliações e decisões unilaterais. Itamaraty confirma investigação e assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta.

Redação Publicado em 16/07/2026, às 09h58
Funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong relataram ao Ministério das Relações Exteriores episódios de perseguição e assédio moral por parte da chefia, criando um ambiente de trabalho insustentável. As denúncias, que envolvem o embaixador Wladimir Valler Filho e o conselheiro Hervelter de Mattos, destacam a falta de diálogo e o clima de insegurança entre os servidores.
Os relatos incluem alegações de que o embaixador reduziu sua carga de trabalho presencial e promoveu mudanças administrativas sem justificativa, além de retaliações a funcionárias que criticaram a gestão. O conselheiro é acusado de usar apelidos pejorativos e fazer declarações ofensivas, contribuindo para um ambiente hostil.
O Ministério das Relações Exteriores confirmou a abertura de uma investigação e a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta pelos denunciados. O Sinditamaraty acompanhará o caso e manterá canais abertos para novos relatos, enquanto o Itamaraty assegura que a transferência de uma servidora não está relacionada à investigação.
Funcionários do Consulado-Geral do Brasil em Hong Kong denunciaram ao Ministério das Relações Exteriores uma série de episódios de suposta perseguição, intimidação e assédio moral envolvendo a chefia da representação diplomática brasileira na região. As denúncias constam em duas cartas coletivas encaminhadas ao Itamaraty e ao Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), nas quais os servidores afirmam que o ambiente de trabalho se tornou "insustentável".
Os documentos apontam acusações contra o embaixador Wladimir Valler Filho e contra o conselheiro Hervelter de Mattos. Segundo os relatos, a gestão teria adotado decisões sem diálogo com a equipe, promovendo um clima de insegurança, desmotivação e receio de represálias entre os servidores.
Entre os episódios descritos nas cartas estão alegações de que o embaixador teria reduzido sua carga de trabalho presencial, realizado viagens particulares durante dias úteis e promovido mudanças administrativas sem justificativa. Os servidores também afirmam que três funcionárias perderam atribuições importantes durante a gestão e que uma delas acabou transferida para a Secretaria de Estado das Relações Exteriores após apresentar críticas formais à administração do consulado.
Os autores das denúncias sustentam que a remoção foi interpretada como possível retaliação, aumentando o temor entre os demais funcionários. Ainda segundo os relatos, o embaixador teria afirmado que poderia remover assessores para qualquer posto, independentemente do nível hierárquico, declaração que, segundo os servidores, reforçava um ambiente de intimidação.
As denúncias também atingem o conselheiro Hervelter de Mattos, acusado de utilizar apelidos pejorativos para se referir a colegas de trabalho e de fazer declarações consideradas ofensivas. Os documentos relatam que o diplomata chamava servidoras de "Bruxa 1", "Bruxa 2" e "Bruxa 3", além de utilizar expressões depreciativas contra outros integrantes da equipe.
Os funcionários ainda relatam supostas falhas administrativas na condução do consulado. Entre elas, a transferência de responsabilidades estratégicas para servidores recém-contratados, o acúmulo de dezenas de e-mails institucionais sem resposta na área cultural e a distribuição de funções incompatíveis com os cargos ocupados pelos contratados locais.
Ao final das cartas, os servidores pedem que o Itamaraty investigue os fatos, adote providências administrativas e assegure proteção aos denunciantes contra possíveis retaliações.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores confirmou ter recebido as representações encaminhadas pelo Sinditamaraty. A pasta informou que os documentos deram origem a um procedimento conduzido pela Corregedoria do Serviço Exterior, que resultou na assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelos denunciados. O Itamaraty também afirmou que a transferência da servidora mencionada nas cartas não possui relação com a investigação em andamento.
O Sinditamaraty informou que continuará acompanhando os desdobramentos do caso e o cumprimento das medidas adotadas, mantendo canais abertos para receber novos relatos de servidores.
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