Ministro já comunicou ao presidente o desejo de deixar o cargo; Planalto discute sucessão, possível debandada na equipe e até divisão da pasta.

Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 09h57
A saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é tratada como iminente no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde o fim de dezembro, Lewandowski já comunicou ao chefe do Executivo sua intenção de deixar o cargo, alegando cansaço e a avaliação de que sua missão à frente da pasta estaria cumprida.
Segundo relatos de integrantes do governo, a expectativa é que o anúncio oficial ocorra ainda nesta semana ou nos próximos dias, assim que for definida a transição. Embora Lula tenha tentado convencer o ministro a permanecer por mais tempo, Lewandowski reiterou sua decisão de sair.
O ministro assumiu o comando da pasta em fevereiro de 2024, após a saída de Flávio Dino para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ex-presidente da Corte, Lewandowski foi escolhido para fortalecer a interlocução do governo com o Judiciário e conduzir a agenda de segurança pública em um momento sensível para o Planalto. Durante sua gestão, foram apresentadas propostas como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, ambos ainda em tramitação no Congresso.
Inicialmente, o ministro sinalizou que poderia aguardar a votação da PEC da Segurança antes de deixar o cargo. No entanto, auxiliares próximos avaliam que o texto perdeu força após alterações feitas pelo Congresso, o que reduziu o peso político de condicionar sua saída à aprovação da proposta.
Efeito em cadeia e sucessão
A possível saída de Lewandowski deve provocar um efeito em cadeia no Ministério da Justiça. Integrantes da cúpula da pasta indicam que secretários próximos ao ministro também pretendem deixar o governo. Entre os nomes citados estão o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto e o secretário nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo. Outros auxiliares já planejavam sair para disputar as eleições de 2026, o que pode ampliar a reformulação da equipe.
Enquanto busca um substituto, Lula avalia alternativas para manter o funcionamento da pasta. Nos bastidores, surgem especulações sobre possíveis nomes e até sobre uma reorganização administrativa, incluindo a recriação do Ministério da Segurança Pública, separado da Justiça — modelo já adotado em gestões anteriores.
Aliados do presidente afirmam que Lula procura um nome que reúna capacidade de articulação no Congresso, bom trânsito com o STF e disposição para enfrentar a pauta da segurança pública, considerada estratégica no contexto eleitoral de 2026.
Com a eventual saída de Lewandowski, o presidente Lula deve chegar a mais de 20 ministros substituídos até abril, em meio a uma fase de ajustes políticos e administrativos no governo.
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