Cármen Lúcia afirma que mentiras impulsionadas por novas tecnologias podem influenciar o voto e abalar a confiança no processo eleitoral

Erika Osti Publicado em 27/01/2026, às 16h52
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, alertou nesta terça-feira (27) para os riscos que a desinformação e o uso indevido de novas tecnologias, como a inteligência artificial, representam para as eleições gerais de 2026. Segundo ela, a disseminação de conteúdos falsos pode comprometer a confiança do eleitor e afetar a legitimidade do processo democrático.
A declaração foi feita durante a abertura de um seminário da Justiça Eleitoral sobre segurança, comunicação e desinformação, realizado na sede do tribunal, em Brasília. O evento reuniu servidores dos Tribunais Regionais Eleitorais, representantes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Durante o encontro, a ministra afirmou que mentiras difundidas com apoio tecnológico têm potencial para distorcer a percepção do eleitor e influenciar diretamente suas escolhas. Para Cármen Lúcia, esse tipo de prática não atinge apenas informações isoladas, mas pode interferir na formação da vontade política da população, enfraquecendo as bases da democracia.
A presidente do TSE ressaltou que tecnologias como a inteligência artificial não são nocivas por si mesmas, mas passam a representar risco quando utilizadas de forma mal-intencionada para criar e espalhar desinformação. Segundo ela, o cenário atual impõe desafios inéditos à Justiça Eleitoral e exige atuação preventiva para garantir a integridade do pleito.
Cármen Lúcia destacou ainda que a dúvida provocada por conteúdos falsos pode minar a confiança nas instituições e no sistema de votação. Nesse contexto, reforçou que cabe à Justiça Eleitoral assegurar um processo eleitoral íntegro, transparente e legítimo, sem abusos que comprometam a liberdade de escolha do eleitor.
O seminário integra um conjunto de ações do tribunal voltadas à preparação das eleições de 2026, marcadas para outubro. O primeiro turno será realizado no dia 4, e o segundo, se necessário, dia 25 de outubro. Os eleitores irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais ou distritais.
À frente do TSE até agosto, quando será substituída pelo ministro Nunes Marques, Cármen Lúcia conduz também uma consulta pública para discutir as regras do próximo pleito, que precisam ser aprovadas até 5 de março. Entre os temas em debate estão o combate à desinformação, a circulação de conteúdos falsos nas redes sociais e o uso de ferramentas de inteligência artificial durante as campanhas, considerados centrais para preservar a confiança do eleitor e a legitimidade das eleições.
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