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Presidente do Banco Central revela estar arrependido com as eleições de 2022

O presidente do Banco Central admitiu erro durante a votação

Jair Bolsonaro e Campos Neto. - Imagem: Reprodução | Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Jair Bolsonaro e Campos Neto. - Imagem: Reprodução | Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Marina Roveda Publicado em 05/10/2023, às 08h33


O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu durante sua participação no programa "Conversa com Bial", exibido na madrugada desta terça-feira (3), que se arrependeu de ter usado uma camisa da seleção brasileira ao ir votar nas eleições de 2022.

O apresentador Pedro Bial questionou Campos Neto sobre o episódio, e o presidente do BC respondeu: "O voto é uma coisa muito privada. Era uma escola na frente da minha casa, que eu fui só com meu filho. Era uma coisa mais do mundo privado do que do mundo público. Obviamente, hoje, pensando, eu não teria feito isso, né? Pensando em hoje."

A cor amarela da camisa usada por Campos Neto era associada aos apoiadores do então presidente Jair Bolsonaro durante as eleições.

Bial aprofundou a questão, questionando se o presidente do Banco Central não havia refletido sobre a escolha da vestimenta. Campos Neto admitiu que não parou para pensar no momento sobre o uso da camisa amarela.

Durante a entrevista, Campos Neto também compartilhou suas percepções sobre reuniões com o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele observou que Lula dedicava mais tempo e paciência às conversas, enquanto Bolsonaro era mais rápido e direto em seus diálogos.

Além disso, o presidente do BC defendeu o ritmo de redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, que caiu meio ponto percentual nas duas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). A próxima reunião do Copom está prevista para 31 de outubro.

Campos Neto e Lula se encontraram pela primeira vez desde a posse do presidente, e a conversa, que durou cerca de 1h30, teve a participação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O encontro foi descrito como uma oportunidade de construir uma relação entre os dois.

Vale destacar que Lula não possui a prerrogativa de realizar mudanças na diretoria do Banco Central devido à autonomia concedida à instituição durante a gestão de Bolsonaro. Campos Neto possui mandato até 2024.

Desde o início de seu mandato, Lula tem feito críticas à condução da política monetária e da Selic pelo Banco Central.

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