Arthur Lira defende elevar critérios para propor ADIs, inclusive contra decisões do parlamento

por Marina Milani
Publicado em 28/04/2024, às 10h00
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados, manifestou sua intenção de modificar as regras que regem as ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defende elevar os critérios para propor ADIs, inclusive contra decisões do parlamento, afirmando que alguns parlamentares têm coragem para enfrentar o tema.
As declarações de Lira foram feitas durante a abertura da 89ª ExpoZebu em Uberaba (MG), evento organizado pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ). A proposta de alteração nas ADIs exigiria a aprovação de uma emenda constitucional, com o respaldo de três quintos dos votos dos deputados (308) e dos senadores (49), em dois turnos em cada casa parlamentar.
Atualmente, as ações diretas de inconstitucionalidade estão previstas na Constituição Federal (artigos 102 e 103), permitindo que diversas entidades e autoridades solicitem ADIs, incluindo o presidente da República, as Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, governadores, partidos políticos com representação no Congresso Nacional, entre outros.
Lira questionou a eficácia das decisões legislativas diante de ADIs que suspendem suas execuções: "O que é que adianta um projeto com 400 votos no plenário da Câmara e um parlamentar entra com a ADI e um ministro [do STF] dá uma liminar?". Ele ressaltou que o STF recebe constantemente essas demandas e as discussões jurídicas se prolongam.
Além disso, o presidente da Câmara prometeu abordar questões ambientais durante seu mandato, mencionando a necessidade de legislações sobre desmatamento e exploração de minério ilegal. Ele também destacou a regulamentação da reforma tributária como uma das prioridades, assegurando um tratamento diferenciado para o setor agropecuário.
Por fim, Lira criticou as manifestações ocorridas durante o Abril Vermelho, campanha tradicional pró-reforma agrária que promoveu ocupações em diversas regiões do país. Ele enfatizou a importância da segurança jurídica no campo para garantir a produção agropecuária.
“Essa confusão de Abril Vermelho, a gente tem que desestimular que isso aconteça no Brasil. A segurança jurídica no campo é a única coisa que o produtor precisa para produzir, seja na pecuária, seja na agricultura”, finalizou.
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