Operação autorizada pelo STF apura possível troca de benefícios por atuação política em favor de interesses do grupo financeiro

Letícia Sales Publicado em 19/06/2026, às 08h35
A Polícia Federal (PF) investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) por suposto recebimento de vantagens indevidas relacionadas a um esquema de fraudes e corrupção que teria ligação com o Banco Master. As suspeitas serviram de base para a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).
Segundo a investigação, os benefícios atribuídos ao parlamentar incluem a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, ingressos para apresentações da cantora Taylor Swift, viagens e movimentações financeiras que estão sob análise dos investigadores.
De acordo com documentos da PF, a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima, apontado como aliado do grupo investigado, é considerada um dos principais focos desta etapa da operação. Na decisão judicial, consta que a proximidade entre os dois teria criado um ambiente favorável para negociações voltadas à defesa de interesses privados ligados ao Banco Master.
Entre os pontos apurados está a compra de um imóvel de luxo na capital baiana. Os investigadores afirmam que a aquisição teria sido viabilizada por meio de recursos provenientes de fundos vinculados ao grupo financeiro. A PF também sustenta que houve participação de pessoas próximas a Augusto Lima na condução das negociações relacionadas ao empreendimento.
Outro item citado na investigação envolve ingressos para um show da turnê "The Eras Tour", realizado em São Paulo em novembro de 2023. Segundo a PF, as entradas teriam sido adquiridas por determinação de Augusto Lima e destinadas a familiares do senador.
Os investigadores também analisam a transferência de R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao núcleo familiar de Wagner. A Polícia Federal aponta que os recursos teriam sido repassados por uma companhia associada ao grupo empresarial investigado. As movimentações financeiras e as comunicações entre os envolvidos fazem parte do material reunido pela apuração.
Durante a operação, agentes apreenderam ainda US$ 49 mil em espécie em um endereço relacionado ao senador, em Brasília. Jaques Wagner afirmou que os valores são provenientes de diárias recebidas durante viagens internacionais realizadas no exercício do mandato.
"Eu, várias vezes, viajei pro exterior, mandei até levantar. E, de 2019 pra cá, eu recebi de diárias, aproximadamente US$ 70 mil dólares, e outras vezes que eu fui viajar eu comprei via Banco do Brasil, onde eu tenho conta, dólares ou euro, para fazer a viagem. Então, eu não tenho nenhuma coisa para esconder", afirmou o senador.
Wagner também declarou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a operação. Segundo ele, o contato teve o objetivo de manifestar solidariedade diante da investigação.
A Polícia Federal apura ainda se o parlamentar atuou em propostas legislativas consideradas estratégicas para interesses do grupo financeiro, incluindo discussões sobre crédito consignado, mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a possível aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
A Operação Compliance Zero investiga, desde 2025, um suposto esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio envolvendo o Banco Master e seus dirigentes. Todos os investigados citados no caso negam a prática de irregularidades.
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