Jaques Wagner está entre os alvos de investigação que apura suposto esquema de fraudes financeiras, corrupção e lavagem de dinheiro ligado ao Banco Master

Letícia Sales Publicado em 18/06/2026, às 09h04
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero e incluiu entre os alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Senado Federal.
A ação faz parte de uma investigação que apura a suposta participação de agentes públicos e empresários em irregularidades envolvendo instituições financeiras. Os investigadores apuram possíveis crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Mandados em três estados
Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
As diligências ocorrem no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia, em endereços ligados aos investigados.
Além das buscas, a Justiça autorizou medidas cautelares, incluindo a proibição de contato entre os alvos da operação e a suspensão de passaportes. A Polícia Federal chegou a informar inicialmente que haveria monitoramento eletrônico dos investigados, mas posteriormente corrigiu a informação.
Outro alvo desta etapa da operação é o banqueiro Augusto Ferreira Lima, aliado do empresário Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição que teve sua liquidação determinada pelo Banco Central em fevereiro deste ano.
Entenda a investigação
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras ligado ao Banco Master e ao seu presidente, Daniel Vorcaro.
As apurações tiveram início em novembro de 2025, quando surgiram suspeitas de que a instituição teria emitido títulos de investimento sem garantias suficientes, atraindo investidores com promessas de rentabilidade acima da média do mercado.
Na primeira fase da operação, Vorcaro foi preso, e a Polícia Federal estimou que o prejuízo potencial causado pelo esquema poderia chegar a R$ 12 bilhões.
Investigação foi ampliada
Com o avanço das investigações, novos elementos levaram a Polícia Federal a ampliar o escopo da operação. Além das suspeitas de fraude financeira, passaram a ser apurados possíveis crimes de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, obstrução da Justiça, intimidação de adversários, espionagem e corrupção.
Os investigadores também analisam aportes bilionários realizados pelo Banco de Brasília (BRB) no Banco Master, além de supostos repasses a agentes políticos.
Nas fases mais recentes, a operação alcançou familiares, aliados empresariais e autoridades públicas que teriam relação com os fatos investigados.
Outros nomes citados
Entre os investigados em etapas anteriores estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de apurações relacionadas a supostos pagamentos vinculados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), investigado no contexto de investimentos realizados pelo Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master.
Todos os investigados citados ao longo da operação negam qualquer irregularidade.
As investigações continuam e os fatos apurados ainda serão analisados pela Justiça.

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