Deputado do PL afirmou que imaginava a região “só com índio” e disse ter “alergia ao vermelho” em referência ao urucum usado por povos originários

Redação Publicado em 22/05/2026, às 11h29
O deputado federal Nikolas Ferreira gerou polêmica ao afirmar que tinha uma visão estereotipada da Amazônia, utilizando o termo 'índio', considerado inadequado por especialistas e lideranças indígenas, o que provocou reações negativas nas redes sociais.
As declarações de Nikolas foram criticadas por internautas e ativistas, que destacaram a desinformação sobre a diversidade cultural da região e a necessidade de respeitar a terminologia adequada para os povos originários.
Além de suas falas sobre a Amazônia, o deputado questionou a arrecadação de multas ambientais pelo Ibama e criticou gastos federais relacionados à COP30, ampliando o debate sobre preservação ambiental e direitos indígenas, embora ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre as críticas.
O deputado federal Nikolas Ferreira voltou ao centro de uma polêmica nacional após declarações feitas durante um evento político no Acre repercutirem negativamente nas redes sociais.
Em discurso realizado durante visita ao estado, o parlamentar afirmou que tinha uma visão estereotipada da Amazônia antes de conhecer a região e utilizou o termo “índio”, considerado inadequado por lideranças indígenas e especialistas.
Ao comentar sua chegada ao Norte do país, Nikolas declarou que imaginava encontrar “só índio” na Amazônia. “Achei que ia chegar na Amazônia e, pra mim, meu irmão, era só índio, aqueles negócios vermelhos que passaram em mim, inclusive me dá alergia, eu sou alérgico a vermelho”, afirmou, em referência ao urucum utilizado tradicionalmente por diversos povos indígenas.
A declaração rapidamente viralizou e provocou críticas de internautas, ativistas e representantes de movimentos indígenas, que apontaram preconceito e desinformação sobre a diversidade cultural e social da região amazônica. O uso do termo “índio” também foi alvo de contestação, já que organizações dos povos originários defendem há anos a adoção do termo “indígena”, considerado mais respeitoso e adequado.
Durante o discurso, Nikolas também afirmou ter encontrado uma realidade diferente daquela que imaginava sobre o Acre. Segundo ele, moradores da região enfrentam dificuldades estruturais e pobreza. “A luta de algumas pessoas é construir uma ponte”, declarou o deputado ao citar problemas locais.
Além das falas sobre a Amazônia e os povos originários, o parlamentar aproveitou o evento para atacar o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Nikolas questionou o volume de recursos arrecadados em multas ambientais aplicadas pelo órgão em 2024.
“Vocês têm ideia do quanto o Ibama arrecadou de multa em 2024? R$ 729 milhões. Para onde foi esse dinheiro?”, questionou. O deputado também criticou gastos federais relacionados à COP30, conferência climática da ONU marcada para acontecer em Belém, no Pará.
A repercussão negativa ampliou o debate nas redes sobre desinformação em relação à Amazônia, preservação ambiental e respeito aos povos originários. Até o momento, o parlamentar não havia se manifestado oficialmente sobre as críticas.
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