PF indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros por formação de organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito

William Oliveira Publicado em 05/02/2025, às 10h27
Em declarações feitas nesta quarta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não deve ser absolvido nas investigações que o apontam como responsável por tentativa de golpe de Estado. Lula destacou que a responsabilização é fundamental diante da gravidade dos atos cometidos.
O presidente também mencionou que aqueles envolvidos na conspiração para assassinar não apenas ele, mas também o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não merecem perdão. Lula criticou ainda os pedidos de anistia antes da conclusão dos processos judiciais.
Contexto do caso
A Polícia Federal (PF) indiciou Jair Bolsonaro e outras pessoas em relação a um suposto plano de golpe de Estado, com acusações de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, formação de organização criminosa e outros crimes. A lista de indiciados inclui ex-ministros, militares e ex-assessores.
As investigações revelaram um plano denominado "Punhal Verde Amarelo", que visava a eliminação de figuras-chave do governo e do sistema judiciário, incluindo Lula, Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Segundo a PF, Bolsonaro tinha conhecimento desse plano.
Lula afirmou: "Quem tentou dar um golpe, quem articulou inclusive a morte do presidente e do vice-presidente e do presidente do Tribunal Eleitoral, não merece absolvição". O presidente alertou os envolvidos, sugerindo que aguardem o desfecho do processo judicial antes de solicitar anistia.
"As pessoas são muito interessantes. Nem terminou o processo, já querem anistia. Ou seja, eles não acreditam que são inocentes? Eles deveriam acreditar que são inocentes, e não ficar pedindo anistia antes de o juiz determinar qual é a punição", disse Lula.
Lula garantiu que todos terão direito a uma defesa justa e democrática durante o julgamento. "As pessoas, que nem foram condenadas, estão pedindo anistia, é porque elas estão se condenando. Eles acham que fizeram exatamente aquilo que a Justiça diz. Esperem o julgamento, se defendam", completou.
O presidente também comentou sobre a possibilidade de Bolsonaro concorrer novamente às eleições, afirmando que, se a Justiça permitir essa candidatura, ele poderá participar.
"Haverá o direito de defesa que nunca houve para mim, para ele vai haver. E se a Justiça entender que ele pode concorrer às eleições, ele pode concorrer. E se for comigo, vai perder outra vez. Porque não há possibilidade de a mentira ganhar uma eleição neste país", afirmou.
Lei da Anistia
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse no último domingo (2) que a discussão sobre o Projeto de Lei da Anistia para os participantes dos eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023 ocorrerá em reuniões entre os líderes partidários nos próximos dias. Motta afirmou que tratará o assunto com imparcialidade e cautela.
A posição do presidente da Câmara foi bem recebida por Bolsonaro, que expressou esperança na aprovação do projeto em uma conversa com jornalistas do portal Metrópoles. O ex-presidente ressaltou que sua intenção não é pessoal: "Não é a minha anistia. Afinal de contas, não estou condenado em absolutamente nada", afirmou, destacando que se trata de uma questão humanitária.
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