Parentes da vereadora e de Anderson Gomes cobram responsabilização dos acusados e classificam sessão como marco para a democracia brasileira

Letícia Sales Publicado em 24/02/2026, às 11h21
Familiares da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes falaram à imprensa nesta terça-feira (24/2), pouco antes do início do julgamento dos cinco acusados de serem os mandantes do crime, ocorrido em 2018. Em coletiva realizada em Brasília, eles destacaram a dor acumulada ao longo de quase oito anos e a expectativa por uma resposta definitiva do Estado.
A mãe da vereadora, Marinete Franco, afirmou que o momento é atravessado por sentimentos intensos.
É um momento difícil, mas também de muita esperança. Eu acho que, diante do que a gente tem vivido nesses oito anos, além de uma experiência de dor que não é possível, é preciso dizer e significar o que é isso. A gente confia muito na situação. Eu tenho dado resposta para o Brasil e para o mundo. É na hora de a gente – e também o Estado brasileiro e o estado do Rio de Janeiro, principalmente – ter uma resposta positiva em relação aos mandantes dessa barbárie.”
O pai de Marielle também se emocionou ao comentar o início do julgamento.
Todos os cinco não deram nenhuma chance de defesa a Marielle e Anderson, mas hoje eles estão com uma banca de advogados defendendo eles para que não sejam condenados pelo que fizeram. Espero e confio cegamente na Primeira Turma do STF, que são juízes com grande saber jurídico e não vão se deixar levar pelas falácias dos advogados que defendem os réus.”
Já Luyara Franco, filha da parlamentar, classificou a sessão como um marco para o país.
“O Estado brasileiro precisa dar resposta para a sociedade, para a democracia, que a gente não pode deixar impune. A justiça plena para a minha mãe e para o Anderson passa pela responsabilização, passa pela não repetição e pela reparação para nossas famílias.”
Julgamento dos acusados
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começou a julgar nesta terça-feira os cinco acusados apontados pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República como responsáveis por planejar o atentado.
Respondem ao processo Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald Paulo de Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca. Quatro deles são réus por duplo homicídio qualificado e também pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque ocorrido em março de 2018.
Os ministros da Corte decidirão se condenam ou absolvem os acusados em um julgamento considerado decisivo para o desfecho do caso.
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