Governo brasileiro alerta para risco de escalada e cobra cumprimento de resolução da ONU

Letícia Sales Publicado em 09/04/2026, às 13h22
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) condenou os ataques realizados por Israel contra o Líbano, um dia após o anúncio de cessar-fogo envolvendo Irã e Estados Unidos. Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a ofensiva como um fator de risco para a estabilidade regional.
“A intensificação dessa ofensiva ocorre na sequência do anúncio, na última noite, de cessar-fogo no conflito armado no Oriente Médio e ameaça envolver a região em nova escalada de violência e instabilidade”, afirmou o ministério.
Segundo o Itamaraty, os bombardeios atingiram áreas extensas do território libanês, deixando ao menos 254 mortos e 1.165 feridos. O Brasil reiterou a defesa da soberania e da integridade territorial do Líbano diante da escalada militar.
“Brasil insta Israel a suspender imediatamente suas ações militares e a retirar todas as suas forças do território libanês. Exorta, ainda, as partes envolvidas a cumprirem integralmente os termos da Resolução 1.701 (2006) do Conselho de Segurança das Nações Unidas”.
A resolução citada, aprovada pela Organização das Nações Unidas, estabelece um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, além da criação de uma zona de segurança monitorada por forças internacionais.
Apesar do acordo recente, Israel realizou a maior ofensiva no Líbano desde o início da atual fase do conflito. O governo iraniano já indicou que pode abandonar as negociações, alegando que a trégua previa a suspensão de ataques em todas as frentes.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sustenta que o território libanês não fazia parte do acordo. Em contrapartida, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que mediou as negociações, afirma que o cessar-fogo incluía o Líbano.
A divergência entre os envolvidos amplia as tensões e levanta dúvidas sobre a efetividade da trégua. Países europeus e representantes da União Europeia também têm pressionado pela inclusão do Líbano no acordo.
O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, mas ganhou novos contornos nos últimos anos, especialmente após a escalada de violência no Oriente Médio a partir de 2023. A atual fase é marcada por ataques cruzados, disputas territoriais e forte impacto humanitário.
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