Presidente reafirma posição mesmo após recuo do Chile e volta a cobrar mudanças na estrutura da organização

Manoela Cardozo Publicado em 29/03/2026, às 08h00
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou no último sábado (28) que o Brasil seguirá apoiando a candidatura da ex-presidente Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas. A sinalização foi feita em meio a uma mudança de posição do governo chileno, que decidiu retirar o respaldo ao nome da ex-mandatária.
Mesmo com o novo cenário político no Chile, Lula indicou que manterá a articulação ao lado do México para sustentar a candidatura. Na avaliação do presidente brasileiro, Bachelet reúne experiência e credenciais suficientes para ocupar o posto mais alto da organização.
Ao comentar o tema, Lula destacou a trajetória da chilena em organismos internacionais e afirmou que ela tem capacidade para conduzir agendas centrais como a promoção da paz, o fortalecimento da cooperação entre países e o avanço de políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
Bachelet já ocupou posições de destaque no cenário global, incluindo funções ligadas à defesa dos direitos humanos e à promoção da igualdade de gênero dentro da própria ONU, além de dois mandatos como presidente do Chile.
A manifestação do governo brasileiro ocorre em um momento de críticas mais amplas à atuação da entidade internacional. Lula tem intensificado questionamentos sobre a eficácia do Conselho de Segurança, apontando dificuldades do órgão em responder a conflitos recentes e em garantir avanços diplomáticos.
Segundo o presidente, o modelo atual compromete a capacidade de ação da organização, especialmente por conta do poder de veto concentrado nas grandes potências. Para ele, esse mecanismo limita decisões e enfraquece a resposta internacional em situações de crise.
Diante desse cenário, Lula voltou a defender mudanças na estrutura do Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes, sobretudo de regiões como América Latina e África. A proposta busca ampliar a representatividade e tornar o órgão mais alinhado à configuração geopolítica atual.
Hoje, o conselho é formado por 15 países, sendo cinco com assento permanente e poder de veto, o que lhes permite bloquear resoluções mesmo diante de amplo apoio internacional. Outros dez integrantes ocupam vagas rotativas, com participação nas votações, mas sem a mesma influência decisória.
Para o governo brasileiro, a revisão desse modelo é fundamental para recuperar a credibilidade da organização e fortalecer sua atuação em temas de segurança global.
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