Decisão deve considerar situação hídrica e evitar impacto político

Sabrina Oliveira Publicado em 19/09/2024, às 07h11
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu sinal verde para que o Ministério de Minas e Energia avalie a possibilidade de retorno do horário de verão no Brasil. No entanto, ele fez questão de destacar que a decisão deve ser estritamente técnica, levando em conta o cenário hídrico do país e a necessidade de evitar apagões.
A medida, que já havia sido descontinuada, volta à pauta devido às preocupações crescentes com o setor elétrico em meio à pior seca registrada nos últimos 94 anos. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) realizará uma reunião extraordinária para discutir um plano de contingência que garanta o fornecimento de energia até 2026, especialmente nos períodos de maior demanda, como o horário de ponta, que ocorre entre 18h e 19h.
Durante esse intervalo, a geração de energia solar e eólica é reduzida, aumentando o risco de sobrecarga no sistema. Lula, que antes resistia à ideia de reintroduzir o horário de verão, mudou sua postura após a constatação de que o agravamento das condições climáticas e a crescente demanda por energia podem colocar o país em uma situação crítica.
O governo federal também está atento aos pedidos de setores como o de hotéis e restaurantes, que veem na medida uma oportunidade de impulsionar suas atividades econômicas, especialmente nos meses de maior calor. Apesar disso, o presidente reforçou que o foco deve ser a segurança energética, e não motivações políticas ou comerciais, e que a decisão final dependerá da análise técnica sobre a situação dos reservatórios e represas no Brasil.
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