Em ligação de cerca de uma hora, presidentes alinharam posições diplomáticas diante de crises e negociações em andamento

Erika Osti Publicado em 27/01/2026, às 16h17
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chefe de Estado da França, Emmanuel Macron, conversaram por telefone nesta terça-feira (27) sobre temas centrais da diplomacia global, com foco na proposta de criação de um “Conselho de Paz” apresentada pelos Estados Unidos e na necessidade de fortalecer o papel das Nações Unidas diante de desafios internacionais. A ligação, que durou cerca de uma hora, reuniu posições alinhadas sobre multilateralismo, estabilidade regional e cooperação econômica.
No centro da conversa esteve a iniciativa anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, que convida líderes globais a integrar um novo órgão para promover a paz em crises como a de Gaza. Lula e Macron concordaram que qualquer esforço nessa direção deve estar em harmonia com os mandatos do Conselho de Segurança da ONU e os princípios da Carta da organização, reforçando que a cooperação internacional não pode enfraquecer o principal fórum multilateral existente.
A França já informou que não aceitará o convite para participar da nova instância, enquanto o Brasil ainda não respondeu formalmente à proposta americana. Ambos os líderes defenderam a importância de que iniciativas de paz estejam sob o guarda-chuva da ONU, alinhadas com suas estruturas e respeitando o direito internacional.
A conversa também abordou a situação na Venezuela após a recente intervenção militar dos Estados Unidos que resultou na destituição de Nicolás Maduro. Lula e Macron condenaram “o uso da força em violação ao direito internacional” e ressaltaram a importância da estabilidade e da paz tanto na América do Sul quanto no contexto global.
Os dois presidentes aproveitaram o diálogo para destacar o valor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como um ativo para o fortalecimento do multilateralismo e do comércio baseado em regras, e comprometeram-se a intensificar negociações bilaterais em áreas como defesa, ciência, tecnologia e energia com o objetivo de concluir novos pactos ainda no primeiro semestre de 2026.
A ligação entre Lula e Macron reflete um esforço conjunto de influenciar a agenda internacional em um momento de tensões geopolíticas, ao mesmo tempo em que busca preservar mecanismos de cooperação global tradicionais e reforçar o papel da ONU como eixo central na construção de soluções duradouras para conflitos mundiais.
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