O presidente brasileiro defende diálogo e cooperação, enquanto condena ações que rompem normas internacionais

por Marina Milani
Publicado em 03/01/2026, às 11h14
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se manifestou neste sábado (3) contra a ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro. Em publicação nas redes sociais, Lula classificou a ação como uma violação grave da soberania venezuelana e alertou para os riscos de escalada de conflitos no cenário internacional.
Sem mencionar diretamente o presidente norte-americano, Donald Trump, Lula afirmou que ataques militares em território estrangeiro rompem limites considerados inaceitáveis pelo direito internacional. Para o presidente brasileiro, episódios desse tipo criam precedentes perigosos e fragilizam o sistema multilateral que sustenta a estabilidade global.
“O uso da força, à margem das normas internacionais, abre caminho para um mundo marcado pela instabilidade e pela imposição da vontade dos mais fortes”, escreveu. Lula também defendeu uma resposta firme da Organização das Nações Unidas (ONU) e reiterou que o Brasil segue disposto a atuar pela via diplomática, com foco no diálogo e na cooperação entre os países.
A declaração ocorre em meio a um momento delicado da política externa brasileira. Embora seja historicamente alinhado ao chavismo, Lula se distanciou de Maduro após o último processo eleitoral venezuelano, cujo resultado não foi reconhecido oficialmente pelo Brasil. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro vinha mantendo conversas consideradas produtivas com Washington para tratar de tarifas comerciais e sanções, em um esforço de reaproximação com a atual administração norte-americana.
Diante da gravidade dos acontecimentos, Lula convocou uma reunião ministerial de emergência na manhã deste sábado para avaliar os impactos diplomáticos e regionais da crise.
O presidente dos Estados Unidos confirmou que forças norte-americanas realizaram um ataque de grande escala contra alvos na Venezuela e que Nicolás Maduro foi capturado junto com a primeira-dama, Cilia Flores, sendo retirados do país por via aérea. O anúncio veio após relatos de explosões durante a madrugada em Caracas e em estados vizinhos.
Segundo autoridades venezuelanas, os bombardeios atingiram instalações estratégicas e áreas urbanas, incluindo o complexo militar de Forte Tiuna e a base aérea de La Carlota. O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, afirmou que há indícios de vítimas civis e que as Forças Armadas estão reunindo informações sobre mortos e feridos.
Do lado norte-americano, o secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que Maduro foi detido e deverá responder judicialmente nos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que, após a captura do líder venezuelano, não estão previstas novas ações militares no país.
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