Primeira-dama afirma que ataques desviam atenção da violência contra mulheres; deputado intensifica críticas ao texto aprovado no Senado

Letícia Sales Publicado em 30/03/2026, às 14h28
A primeira-dama Janja voltou a se manifestar nas redes sociais nesta segunda-feira (30) em defesa do Projeto de Lei da Misoginia, em meio a críticas e trocas de declarações com o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
Sem citar diretamente o parlamentar, Janja criticou os ataques que tem recebido e reforçou a importância da proposta para o combate à violência contra mulheres. “Enquanto uns mentem e distorcem informações sobre um Projeto de Lei criado para proteger e salvar a vida das mulheres, continuamos sendo mortas por homens todos os dias em nosso país”, escreveu.
A primeira-dama também comentou o ambiente de críticas nas redes sociais. “Enquanto uns perdem tempo me atacando e me difamando nas redes sociais, mulheres seguem sendo vítimas de homens que se acham no direito de interromper suas vidas”, afirmou.
A publicação incluiu um vídeo com manchetes sobre casos recentes de feminicídio. Ao comentar o conteúdo, Janja destacou a gravidade do problema: “Esses são só alguns casos de mulheres que sofreram feminicídio no último fim de semana. Enquanto esse tipo de notícia ainda fizer parte da nossa realidade, não iremos nos calar”.
O embate com Nikolas Ferreira teve início após a aprovação do projeto no Senado. Na sexta-feira (27), Janja já havia criticado a disseminação de informações falsas sobre a proposta. “Enquanto você se preocupava em editar seu vídeo bonitinho, uma mulher era morta”, disse à época.
O deputado, por sua vez, tem se posicionado como um dos principais opositores do texto. Após a aprovação, classificou a proposta como uma “aberração” e afirmou que atuará para barrá-la na Câmara dos Deputados. Em vídeo publicado no domingo (29), respondeu diretamente à primeira-dama: “Não adianta vir com essa fala mansa e essa cara de sonsa. [Não adianta] querer, aqui, colocar como se eu explicar uma lei da misoginia, que na verdade não tem nada a ver com agressão contra mulher, mas que na verdade está querendo fazer um patrulhamento do que pode ou não ser dito”.
O Projeto de Lei da Misoginia, aprovado no Senado na última semana, propõe equiparar o ódio contra mulheres aos crimes previstos na Lei do Racismo. O texto prevê pena de reclusão e multa para casos de injúria misógina e segue agora para análise da Câmara.
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