Governo brasileiro adotou medidas diplomáticas após presidente argentino criticar o STF e atacar Alexandre de Moraes durante evento político em São Paulo

Julio Cezar Souza Publicado em 26/07/2026, às 20h02
O Ministério das Relações Exteriores convocou, neste domingo (26), o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, para prestar esclarecimentos sobre o cenário diplomático entre os dois países. Paralelamente, o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimundi, também foi chamado ao Itamaraty para tratar das declarações feitas pelo presidente argentino Javier Milei durante um evento político realizado em São Paulo.
A decisão foi tomada um dia após Milei participar da convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Durante o discurso, o presidente argentino criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e chamou o ministro Alexandre de Moraes de "lixo careca", ao comentar a negativa de autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na avaliação do governo brasileiro, a convocação de um embaixador brasileiro em missão no exterior para consultas representa uma medida diplomática de maior gravidade, utilizada quando há necessidade de avaliar episódios considerados prejudiciais às relações bilaterais. Já o chamado ao representante argentino no Brasil demonstra insatisfação oficial e busca por esclarecimentos sobre as declarações feitas pelo chefe de Estado.
Essa não é a primeira vez que o embaixador Julio Bitelli é convocado para consultas relacionadas ao governo argentino. Em julho de 2024, ele já havia retornado temporariamente ao Brasil para prestar informações sobre o relacionamento entre os dois países. Desta vez, porém, integrantes da diplomacia brasileira avaliam que a reação do Itamaraty representa um posicionamento mais firme diante dos recentes acontecimentos.
Durante a convenção do PL, Milei também afirmou que pretendia visitar Jair Bolsonaro, mas criticou a decisão do ministro Alexandre de Moraes que impediu o encontro. O presidente argentino comparou a situação ao período em que Luiz Inácio Lula da Silva esteve preso e recebeu visitas de líderes estrangeiros, classificando a prisão domiciliar do ex-presidente brasileiro como injusta.
Além das críticas ao Judiciário brasileiro, Milei voltou a defender pautas liberais e afirmou que o Brasil poderia seguir um caminho semelhante ao adotado por seu governo na Argentina. O presidente também declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e disse acreditar em uma mudança política na América do Sul.
As declarações provocaram reação imediata do Supremo Tribunal Federal. Em nota, o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, afirmou que as manifestações de Milei representam uma referência desrespeitosa a um integrante da mais alta instância do Judiciário brasileiro.
Fachin também ressaltou que o STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade esperada nas relações entre Estados soberanos e reafirmou a autonomia do Poder Judiciário brasileiro, destacando que as decisões da Corte são tomadas com base na Constituição e na legislação do país.
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