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Em artigo ao Washington Post, Lula rebate taxação dos Estados Unidos

Texto publicado em jornal dos Estados Unidos critica a política tarifária de Washington e rejeita as justificativas apresentadas para a taxação

Lula critica tarifas dos EUA e diz que Brasil não será derrotado por mentiras - Imagem: Reprodução/REUTERS/Adriano Machado
Lula critica tarifas dos EUA e diz que Brasil não será derrotado por mentiras - Imagem: Reprodução/REUTERS/Adriano Machado

Julio Cezar Souza Publicado em 26/07/2026, às 17h30


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (26) um artigo no jornal norte-americano The Washington Post em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No texto, o chefe do Executivo classificou a medida como injusta, criticou os argumentos apresentados pelo governo norte-americano e afirmou que o Brasil não aceitará pressões baseadas em informações falsas.

Ao longo da publicação, Lula afirmou que a decisão do governo dos Estados Unidos possui um componente ideológico e sugeriu que a política comercial busca influenciar o cenário político brasileiro em ano eleitoral.

O presidente também mencionou declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que classificou o Brasil como um país "não amigo". Segundo Lula, iniciativas desse tipo representam uma tentativa de interferência nas relações bilaterais.

"No Brasil, ninguém será derrotado com base em mentiras", escreveu o presidente ao defender a soberania nacional e rejeitar o que chamou de instrumentalização política da parceria entre os dois países.

Lula voltou a argumentar que os Estados Unidos registram superávit na balança comercial com o Brasil, destacando que a relação entre as duas economias beneficia ambos os lados. Segundo ele, as tarifas também provocarão impactos negativos para consumidores e empresas norte-americanas.

De acordo com o presidente, setores industriais dos Estados Unidos dependem de matérias-primas e produtos brasileiros, o que poderá resultar no aumento dos custos para diferentes segmentos da economia americana.

O artigo também afirma que o Brasil pretende diversificar seus mercados e ampliar relações comerciais com outros parceiros internacionais caso as restrições permaneçam.

As críticas são uma resposta à decisão anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que determinou uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo aço, ferro, açúcar, etanol, calçados, vestuário, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas e outros bens manufaturados.

Na ocasião, o governo norte-americano justificou a medida alegando que determinadas práticas brasileiras prejudicariam trabalhadores, produtores e exportadores dos Estados Unidos.

Além das questões comerciais, Lula utilizou o artigo para defender políticas brasileiras frequentemente criticadas pelo governo norte-americano, como o combate ao desmatamento, a regulamentação das plataformas digitais e o sistema de pagamentos instantâneos Pix.

Ao encerrar o texto, o presidente reiterou que o Brasil permanece aberto ao diálogo, mas ressaltou que qualquer negociação internacional deve ocorrer com respeito à soberania de ambos os países e baseada no princípio da reciprocidade entre as nações.


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