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Comunicação pública

Governo Lula amplia em quase 200% gastos com influenciadores em relação à gestão Bolsonaro

Lista revela cachês de até R$ 470 mil e mostra quem são os criadores contratados para campanhas oficiais.

Governo federal ampliou uso de influenciadores digitais em campanhas institucionais e elevou investimentos no ambiente online - Imagem: Reprodução
Governo federal ampliou uso de influenciadores digitais em campanhas institucionais e elevou investimentos no ambiente online - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 11/04/2026, às 14h41


O governo de Luiz Inácio Lula da Silva destinou R$ 2 milhões para pagamentos a influenciadores digitais e artistas em campanhas institucionais desde 2025, visando reposicionar a comunicação oficial no ambiente digital e aumentar o alcance nas redes sociais.

Os pagamentos foram concentrados em artistas com grande influência digital, com Dira Paes recebendo R$ 470 mil e Matheus Buente, que produziu conteúdos sobre políticas públicas, recebendo o maior valor entre influenciadores, totalizando R$ 124,9 mil.

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) justifica o investimento como uma resposta ao consumo crescente de conteúdo digital, enquanto a estratégia de comunicação do governo se integra mais ao digital, gerando debates sobre o uso de recursos públicos e a transparência nas campanhas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva destinou cerca de R$ 2 milhões ao pagamento de influenciadores digitais e artistas para campanhas institucionais desde 2025, segundo dados obtidos via Lei de Acesso à Informação.

Os valores, executados pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), fazem parte de uma estratégia de reposicionamento da comunicação oficial, com foco no ambiente digital e no alcance via redes sociais.

Quem recebeu e quanto ganhou

A lista de pagamentos divulgada mostra concentração dos maiores valores em artistas e influenciadores com forte alcance digital. Veja os principais nomes:

  • Dira Paes — R$ 470 mil
  • Milton Cunha — R$ 310 mil
  • Matheus Buente — R$ 124,9 mil
  • Morgana Camila — R$ 119,25 mil
  • Vitor DiCastro — R$ 90 mil
  • Anaterra Oliveira — R$ 50 mil
  • Rodrigo Góes — R$ 50 mil
  • Gabriela Ferreira — R$ 40 mil
  • Giovana Fagundes — R$ 40 mil
  • Matheus Sodré — R$ 40 mil
  • Laura Sabino — R$ 40 mil (valor contestado pela própria influenciadora)

Além desses, ao menos 55 influenciadores participaram das campanhas, com cachês que variam de cerca de R$ 1 mil a R$ 124,9 mil.

O maior valor entre influenciadores foi pago ao comediante e professor Matheus Buente, que produziu conteúdos sobre políticas públicas como Pix e combate à fome.

Como funcionam os pagamentos

Segundo a Secom, os influenciadores são contratados dentro das verbas de produção das campanhas, geralmente por meio de agências de publicidade já licitadas pelo governo.

Os criadores precisam apresentar métricas como número de seguidores, alcance e engajamento para participar do sistema oficial de mídia do governo, o Midiacad.

Parte das campanhas também envolve parcerias indiretas com plataformas digitais — como no caso do apresentador João Kleber, que participou de ação sem pagamento direto federal.

Estratégia digital

O investimento reflete uma mudança clara: mais de 30% da verba publicitária federal já é destinada ao digital, ampliando o uso de influenciadores como canal de distribuição de informação.

A justificativa oficial é acompanhar o comportamento da população, que consome cada vez mais conteúdo em redes sociais, especialmente entre públicos mais jovens.

Comparação com o passado

O uso de influenciadores não começou agora, mas ganhou escala. Entre 2019 e 2021, o governo Jair Bolsonaro gastou cerca de R$ 670 mil com esse tipo de contratação — valor significativamente menor que o atual. A diferença está no volume e na integração dessa estratégia ao planejamento central de comunicação.

Debate em aberto

A divulgação dos valores reacendeu discussões sobre:

  • uso de dinheiro público em publicidade digital
  • critérios de escolha dos influenciadores
  • transparência nas campanhas

Enquanto o governo defende maior alcance e eficiência na comunicação, críticos questionam a relação custo-benefício e o impacto político dessas ações.


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