Ministro do STF afirma que investigação ajudou a conter ataques à Corte e diz que instrumento segue necessário no cenário político atual

Redação Publicado em 24/04/2026, às 12h42
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na última quinta-feira (23), que o chamado inquérito das fake news deve permanecer em andamento, ao menos, até a realização das eleições presidenciais de 2026. Segundo ele, a investigação teve papel importante para preservar a estabilidade institucional do país.
Durante entrevista ao Jornal da Globo, Gilmar declarou que o Brasil atravessa um momento de “paz política” em razão das medidas adotadas no âmbito do inquérito. Para o magistrado, períodos eleitorais costumam intensificar críticas ao STF, muitas vezes transformadas em pauta de campanhas políticas, o que justificaria a manutenção de mecanismos de proteção à Corte.
O inquérito foi instaurado em março de 2019 para apurar a disseminação de notícias falsas, ameaças e ataques direcionados aos ministros do Supremo e ao sistema democrático. A investigação está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.
Na entrevista, Gilmar ressaltou que considera a apuração ainda necessária diante de novos episódios de ataques institucionais. Ele também criticou iniciativas recentes que buscaram responsabilizar integrantes do tribunal.
Ao comentar esse ponto, o ministro mencionou o relatório final da CPI do Crime Organizado, conduzida no Senado. O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB), sugeria o indiciamento do próprio Gilmar Mendes, e outros dois ministros, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido, no entanto, foi rejeitado pela comissão.
Mendes também abordou o embate recente com Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e apontado como pré-candidato à Presidência. O ministro solicitou a Alexandre de Moraes que o político seja incluído no inquérito após a divulgação de vídeos críticos ao STF nas redes sociais.
Desde o início da semana, Zema intensificou publicações com ataques à Corte em seu perfil no Instagram. O ex-governador afirma ser alvo de perseguição e diz que manterá suas manifestações públicas sobre o tema.
O episódio reforça como a relação entre liberdade de expressão, combate à desinformação e atuação do Judiciário deve seguir no centro do debate político até as eleições de outubro.
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