Senadora questiona repasse da Embratur ao desfile da Acadêmicos de Niterói e aponta possível favorecimento político; presidente da autarquia defende investimento como estratégia para promover o Brasil no exterior.

Ana Beatriz Publicado em 08/02/2026, às 13h09
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou uma denúncia na Comissão de Ética da Presidência da República contra o presidente da Embratur, o deputado federal Marcelo Freixo, após o patrocínio destinado ao desfile da Acadêmicos de Niterói, escola que irá homenagear o presidente Lula no Carnaval do Rio.
Na representação, Damares afirma que houve uso indevido de recursos públicos para fins políticos. Segundo o documento, Freixo teria autorizado o repasse de R$ 1 milhão para cada agremiação ligada à Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). A parlamentar argumenta que o financiamento pode configurar favorecimento político e violação de princípios da administração pública.
A denúncia também cita a participação de Freixo em um ensaio técnico da escola, ocasião em que ele teria utilizado uma camisa com o rosto do presidente Lula. Para a senadora, o episódio poderia caracterizar quebra de deveres éticos no exercício da função pública.
Em resposta, Freixo defendeu o patrocínio por meio de um vídeo divulgado em suas redes sociais. O dirigente afirmou que o repasse total, estimado em R$ 12 milhões e dividido entre as 12 escolas do Grupo Especial, representa um investimento estratégico para promover o Carnaval brasileiro internacionalmente, impulsionar o turismo e estimular a economia.
O parlamentar ressaltou ainda que o valor repassado é equivalente ao destinado na edição anterior e destacou que o evento também recebe investimentos do governo estadual e da prefeitura do Rio de Janeiro.
A homenagem ao presidente Lula pela Acadêmicos de Niterói ampliou o debate político nas redes sociais e motivou outras representações. O partido Novo ingressou com ação no Tribunal de Contas da União (TCU) solicitando a suspensão do repasse destinado à escola.
O pedido, no entanto, foi rejeitado pelo ministro Aroldo Cedraz, que entendeu que os recursos fazem parte de um termo de cooperação voltado à promoção internacional do Brasil, utilizando o Carnaval como ferramenta estratégica de divulgação cultural e turística.
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