Impasses na proposta de anistia revelam divisões entre bolsonaristas e relator, que defende apenas redução de penas para manifestantes

Redação Publicado em 25/10/2025, às 10h18
A divulgação da decisão final do Supremo Tribunal Federal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro está colocando nova pressão sobre a Câmara dos Deputados para acelerar a votação do projeto da anistia. No entanto, a proposta continua travada e sem data para ser analisada, principalmente devido a uma freada dos partidos do chamado “centrão”.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, admitiu que a formalização da condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado “faz apressar” a necessidade de votar o projeto. A intenção da oposição é que a anistia, originalmente pensada para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, também beneficie o ex-presidente, sentenciado a 27 anos e três meses de prisão.
Mas, por que o projeto não anda? A resposta está nos líderes do centrão, que solicitaram uma pausa de 15 dias para discutir o assunto com mais calma. Segundo Sóstenes, o pedido veio porque o clima político ficou pesado após outras votações polêmicas recentes, como a decisão da Câmara de barrar um processo na Justiça contra o deputado Gustavo Gayer (PL-GO).
Anistia Total ou Só Redução de Pena?
Um dos principais impasses do projeto está no seu conteúdo. Enquanto os bolsonaristas defendem um perdão total e completo para todos os condenados, incluindo Jair Bolsonaro, o relator da proposta, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), já avisou que seu parecer será bem diferente.
Paulinho da Força diz que o texto vai focar somente na redução das penas dos manifestantes do 8 de janeiro, sem incluir os líderes ou mandantes dos atos. Para tentar diminuir a polêmica e conseguir mais apoio, ele tem até chamado o projeto de “PL da Dosimetria”, ou seja, uma lei para recalibrar as sentenças, e não para anistiar todo mundo.
Para complicar ainda mais, existe outro grande obstáculo: o Senado. Muitos deputados do centrão não querem sofrer o desgaste político de aprovar um projeto tão controverso sem ter a garantia de que os senadores também vão aprová-lo. Essa desconfiança aumentou depois que o Senado engavetou outra proposta polêmica aprovada na Câmara, a chamada “PEC da Blindagem”, mostrando não haver sintonia entre as duas Casas.
Apesar de a Câmara ter aprovado em setembro um regime de urgência para o projeto, o que permite que ele seja votado direto no plenário, a proposta não foi incluída na lista de prioridades da próxima semana. A expectativa do líder do PL é que as conversas sejam retomadas para tentar colocar a anistia em pauta na primeira semana de novembro.
Leia também

Dom Rafael perde direitos dinásticos após anunciar casamento

Quase 900 cobras escapam de criadouro durante enchentes no sul da China

Messi fica fora de treino antes da semifinal da Copa do Mundo

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

São Paulo registra madrugada mais fria do ano e cidade aciona plano de proteção contra baixas temperaturas

Flávio Dino cobra explicações do Congresso e amplia investigação sobre emendas parlamentares

Lula sanciona lei que torna obrigatória educação política e cidadania nas escolas

França celebra a Bastilha, mas enfrenta uma batalha pela própria identidade

Trump revoga taxa de 20% sobre navios em Ormuz, mas mantém bloqueio ao Irã

OAB recorre ao STF após Moraes impedir visitas de Flávio Bolsonaro ao pai