Bolsonaro ironiza o rombo de R$ 14 bilhões e critica o PT, acirrando a polarização política no país.

por Marina Milani
Publicado em 06/02/2025, às 19h46
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) provocou polêmica ao utilizar as redes sociais na última quinta-feira (6) para criticar a gestão da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ). O parlamentar ironizou o prejuízo de R$ 14 bilhões registrado pelo fundo, postando uma imagem de um boné azul com a frase: “O rombo de 14 bilhões da Previ é dos brasileiros”.
Na legenda, Bolsonaro acusou o Partido dos Trabalhadores (PT) de comprometer a saúde financeira dos fundos de pensão e usou ironia ao citar linguagem neutra, associada a setores da esquerda.
“A tara do PT em roubar o futuro de pensionistas, pensionistos e pensionistes não tem limites! Amigues, deixem os fundos de pensão em paz!”, escreveu o senador.
A publicação faz parte de uma disputa simbólica iniciada recentemente no Congresso Nacional. No sábado (1º), parlamentares governistas divulgaram imagens com um boné azul estampado com os dizeres: “O Brasil é dos brasileiros”. A iniciativa foi uma resposta ao uso do icônico boné vermelho de Donald Trump, “Make America Great Again”, por políticos da direita durante a posse do presidente americano.
Em seguida, na segunda-feira (3), a oposição lançou suas próprias versões, com frases como “Comida barata novamente. Bolsonaro 2026”, acirrando ainda mais a polarização. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também aderiu à tendência e posou com o boné governista, reforçando a disputa simbólica.
Diante do impasse, o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), criticou a politização do episódio. “Boné serve para proteger a cabeça, não para resolver os problemas do país”, comentou em sua conta no X (antigo Twitter).
Enquanto a “Guerra dos Bonés” movimentava os bastidores políticos, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou, na quarta-feira (5), a abertura de uma auditoria para investigar o desempenho da Previ. O ministro Walton Alencar Rodrigues destacou preocupações com o prejuízo bilionário acumulado pelo fundo entre janeiro e novembro de 2024, alertando para riscos financeiros aos beneficiários.
Rodrigues apontou um rendimento considerado “pífio” de apenas 1,58% no período, muito abaixo dos resultados registrados em anos anteriores. Segundo ele, o caso sugere “sérios problemas de gestão” na entidade e pode representar um risco inequívoco para os participantes do fundo.
O ministro também alertou que, caso a situação se agrave, o Banco do Brasil — que tem controle estatal — pode ser obrigado a cobrir parte das perdas, onerando a União. “Há a perspectiva de danos graves para o Banco do Brasil, que, em caráter extraordinário, poderá ser chamado a contribuir paritariamente com os assegurados”, afirmou.
Em nota oficial, a Previ classificou as suspeitas de falhas na gestão como “ilatórias” e ressaltou que os planos seguem equilibrados. Segundo a entidade, a volatilidade do mercado em 2024 foi um dos fatores que influenciaram os resultados.
“Os planos continuam em equilíbrio — muito por conta do bom resultado de 2023, também construído pela atual gestão da entidade. Não há, portanto, nenhum risco de equacionamento, nem de pagamento de contribuições extraordinárias pelos associados ou pelo Banco do Brasil”, informou a Previ.
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