Município de menos de 2 mil habitantes na Paraíba destina valor elevado para celebração enquanto enfrenta estiagem e dificuldades estruturais.

Ana Beatriz Publicado em 30/04/2026, às 09h41
A Prefeitura de Coxixola anunciou um investimento de R$ 2,5 milhões para a festa de 32 anos da cidade, o que equivale a cerca de R$ 1.410 por habitante, em meio a uma situação de emergência devido à estiagem.
Os principais gastos incluem R$ 1,3 milhão para o cantor Wesley Safadão e mais de R$ 1 milhão para a estrutura do evento, gerando críticas sobre a legalidade e a prioridade dos gastos públicos em um contexto de crise.
Em resposta às críticas, a prefeitura defendeu que o evento pode impulsionar a economia local e afirmou que os recursos não afetarão os orçamentos de saúde e educação, enquanto o Ministério Público da Paraíba investiga a situação.
A Prefeitura de Coxixola, município com menos de 2 mil habitantes, anunciou um investimento de R$ 2,5 milhões para a realização da festa de 32 anos da cidade. O valor chamou atenção por representar aproximadamente R$ 1.410 por morador, em um contexto de situação de emergência provocada pela estiagem.
Entre os principais custos está o cachê de R$ 1,3 milhão do cantor Wesley Safadão. Além disso, mais de R$ 1 milhão será destinado à estrutura do evento, incluindo palco, som e demais equipamentos necessários para a realização da festa.
De acordo com o Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, os contratos relacionados ao evento foram firmados por meio de dispensa de licitação, o que ampliou o debate sobre a legalidade e a prioridade dos gastos públicos em um cenário de crise.
A repercussão ganhou força nas redes sociais, principalmente porque o município enfrenta problemas históricos relacionados à falta de infraestrutura e saneamento básico, agravados pela estiagem que afeta a região. A condição de emergência vigente levanta questionamentos sobre a alocação de recursos em eventos festivos diante de demandas essenciais da população.
Em resposta às críticas, a prefeitura de Coxixola informou que o evento tem potencial para movimentar a economia local, gerando renda para comerciantes e prestadores de serviço. A administração também afirmou que os recursos destinados à festa não comprometem os orçamentos das áreas de saúde e educação.
O caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público da Paraíba, que deve avaliar possíveis irregularidades e a compatibilidade dos gastos com o cenário de emergência enfrentado pelo município.
Especialistas em gestão pública apontam que, embora eventos culturais possam ter impacto econômico positivo em cidades pequenas, decisões desse porte exigem transparência, planejamento e alinhamento com as prioridades mais urgentes da população.
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