Deputado do PL é alvo de tentativa de intimação do Supremo em investigação sobre emenda parlamentar destinada a ONG ligada a filme sobre Jair Bolsonaro

Julio Cezar Souza Publicado em 22/05/2026, às 08h03
A Câmara dos Deputados informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (21), que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) viajou ao exterior sem autorização prévia da Casa para cumprir agendas internacionais. O esclarecimento foi enviado ao ministro Flávio Dino após determinação para que a Câmara explicasse, em até 48 horas, o paradeiro do parlamentar.
O STF tenta localizar Frias há mais de um mês para intimá-lo a prestar esclarecimentos sobre o envio de uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil. A organização é ligada à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, obra sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
No ofício encaminhado ao Supremo, a Câmara explicou que Frias apresentou dois pedidos de missão oficial internacional durante o mês de maio. O primeiro previa viagem ao Reino do Bahrein entre os dias 12 e 18, com afastamento solicitado de 11 a 19 de maio. O segundo pedido envolvia viagem aos Estados Unidos entre os dias 19 e 21, com licença prevista de 18 a 22 de maio.
Apesar das solicitações, a Câmara informou que os pedidos “ainda estão em apreciação”, indicando que as viagens ocorreram antes da autorização formal da Casa Legislativa.
O documento também aponta que o deputado esteve afastado por licença médica entre os dias 14 e 27 de abril, sob justificativa de tratamento da própria saúde.
Nas redes sociais, Mário Frias comentou a decisão do ministro Flávio Dino e afirmou que está em agenda oficial no exterior com conhecimento do presidente da Câmara, Hugo Motta. O parlamentar também declarou que retornará ao Brasil no próximo dia 25 de maio.
“Chegarei ao Brasil dia 25 de maio, desde já me colocando à disposição de Vossa Excelência, para inclusive um encontro ao vivo, ocasião em que será uma ótima oportunidade para prestar todos os esclarecimentos que desejar”, escreveu Frias em publicação.
A investigação conduzida pelo STF busca esclarecer a destinação dos recursos parlamentares enviados ao instituto ligado à produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. Até o momento, o deputado não foi oficialmente ouvido pela Corte.
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