Ex-secretário-geral administrativo empurrou procurador-geral após discussão sobre contrato de convênio com plano de saúde

Letícia Sales Publicado em 09/03/2026, às 14h26
A Câmara Municipal de São Paulo decidiu arquivar a sindicância que investigava a conduta do ex-secretário-geral administrativo Celso Gabriel, acusado de agredir o procurador-geral legislativo da Casa, Paulo Baccarin, após um desentendimento envolvendo a análise de um contrato de convênio com a operadora de saúde Geap.
O episódio ocorreu em junho do ano passado dentro das dependências do Legislativo municipal. De acordo com boletim de ocorrência registrado pelo procurador, Gabriel teria pressionado Baccarin para acelerar a elaboração de um parecer jurídico e a minuta de contrato com a entidade de autogestão em saúde, que oferece planos para servidores.
Segundo o relato, durante uma reunião considerada emergencial, o então secretário teria demonstrado forte interesse na assinatura do convênio e exigido que o processo fosse concluído rapidamente. Baccarin afirmou que a procuradoria já tratava o tema com prioridade, mas se recusou a alterar o trâmite administrativo previsto no regimento interno.
A negativa teria provocado uma reação agressiva. Conforme o procurador, Gabriel passou a fazer cobranças em tom ameaçador e, em seguida, o empurrou. No momento da confusão, Baccarin estava com um dos braços imobilizado por uma tipoia e acabou caindo sobre uma estagiária, sendo posteriormente atendido no ambulatório da Câmara.
Após o episódio, Celso Gabriel tirou férias de 15 dias enquanto a Casa abriu uma apuração preliminar. Baccarin também solicitou formalmente à Mesa Diretora a abertura de sindicância e a demissão do servidor.
Meses depois, em setembro, Gabriel se aposentou por tempo de contribuição. De acordo com dados do portal de transparência da Câmara, ele passou a receber salário líquido de cerca de R$ 20,9 mil após a aposentadoria.
A discussão ocorreu em meio à tramitação de um convênio com a Geap para oferta de planos de saúde aos servidores. O modelo foi autorizado por lei aprovada pela própria Câmara, que também manteve a possibilidade de reembolso para quem optar por outros planos.
Em outubro, cerca de um mês após a aposentadoria do ex-secretário, o Legislativo municipal firmou contrato com a Geap no valor de R$ 10 milhões, com vigência de dois anos.
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